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Moradores de São Leopoldo serão multados por desperdício de água

Nível do Rio dos Sinos que abastece a cidade apresenta visíveis sinais de estiagem

Moradores de São Leopoldo serão multados por desperdício de água
Moradores de São Leopoldo serão multados por desperdício de água Foto : Antônio Sobral
Com o nível um metro abaixo do normal para o período – 1,5 metros, o Rio dos Sinos apresenta sinais da estiagem que atinge a região. Além da formação de bancos de areia, existem pontos próximos da área central de São Leopoldo onde a água, que antes atingia a cintura das pessoas, hoje mal cobre os pés. O quadro levará a prefeitura a reeditar, ainda neste mês, decreto que prevê a aplicação de multas aos moradores que desperdiçarem água.

Está proibido usar água potável para lavar veículos, calçadas e fachadas de prédios residenciais e comerciais e molhar gramados, além de encher piscinas. A previsão é de que o decreto seja publicado no dia 1º de dezembro. Paralelamente, o prefeito Ary Vanazzi desenvolverá campanha de conscientização de toda a população sobre o uso racional. “Também intensificaremos a fiscalização sobre o uso da água e o monitoramento da estiagem e da situação do rio”, salientou. O coordenador da Defesa Civil no município, Silomar Gomes, destacou que a estiagem não significa apenas a redução no nível do rio, mas também afeta a qualidade da água e, em consequência, a sua produção.

“Com a redução do volume, aumenta a concentração de resíduos sólidos e a necessidade de limpeza frequente dos filtros das bombas de captação do Serviço Municipal de Água e Esgotos”, frisou. Gomes afirmou que o problema é mais crítico nas proximidades da ponte 25 de Julho e em área utilizada para a prática de canoagem, com acesso pela Rua da Praia. “Nesses pontos, o recuo da água é expressivo”, disse.

Em Porto Alegre, ainda não há problemas para o abastecimento, mesmo com Guaíba estando apenas 55 centímetros acima do nível do mar - nesta época do ano a média histórica seria de 80 centímetros. O coordenador da Defesa Civil, Léo Antônio Bulling, destacou que a situação está sob controle.

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) projeta construir estação de captação de água no Rio Jacuí. O novo sistema, orçado em R$ 60 milhões, terá capacidade de 12 metros cúbicos de vazão por segundo - similar a das atuais linhas de captação instaladas nos bairros Moinhos de Vento e São João, que totalizam 50% da água produzida na cidade, abastecendo 43% da população.

De acordo com o meteorologista MetSul Eugênio Hackbart, desde setembro, não há um período regular de chuvas e a estiagem deste verão deverá ser mais longa e severa que a registrada em 2008. Em outubro, choveu 50% da média histórica na Região Metropolitana.

Gravataí

Outros municípios da Região Metropolitana projetam o desenvolvimento de campanhas na tentativa de evitar a adoção de medidas drásticas, como o racionamento de de água. Em Gravataí, estão previstas atividades educativas para conscientizar a população quanto à importância do uso consciente. Ainda neste mês, a prefeitura lançará a campanha “Água, um bem de todos - Minha Água, Minha vida”.

De acordo com a prefeita Rita Sanco, o nível do manancial que abastece a cidade é preocupante. Na localidade de Passo dos Negros, onde a Corsan capta água, o nível que normalmente está 2 metros acima do nível do mar, hoje apresenta volume de apenas 48 centímetros.

Já no ponto de captação de Alvorada, os orizicultores somente podem captar água para a irrigação das lavouras quando o nível for superior a um metro. “Estamos vivenciando uma situação semelhante a de 2005, mas avalio que o uso racional da água não deva ser uma preocupação exclusiva em períodos de escassez de chuva”, frisou. De acordo com a prefeitura, o ideal seria que as pessoas utilizassem a água potável exclusivamente para consumo humano. “As demais utilizações deveriam priorizar o reaproveitamento da água da chuva”, aconselhou.

O ideal, conforme Rita, é que as pessoas verifiquem a situação dos encanamentos das moradias ou empresas, efetuando os reparos necessários em caso de constatação de vazamentos. Outra medida importante é reduzir o tempo de permanência no banho, sendo aconselhável fechar o registro para uso do sabonete e xampu. Rita ainda sugere que os moradores não utilizem mangueira para lavar veículos, mas balde, esponja e pano. “Um pequeno jato d’água é suficiente para molhar as plantas”, ressaltou.


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