Moradora da localidade de Olhos D'Água, distante 20 quilômetros do Centro de Bagé, a dona de casa Elizabete Silveira dos Santos, 30 anos, tem que ser criativa para não deixar faltar água para o consumo e para as atividades domésticas. A única cacimba que abastece a família está quase seca. Na casa moram quatros pessoas, entre as quais um bebê de apenas 20 dias. Quando a caixa de água seca, ela leva de três a quatro dias para encher.
Os problemas de Elizabete vão bem além. Devido à estiagem, as 11 vacas das raças holandesa e jersey já não têm mais água para beber. O único açude da propriedade está praticamente seco. Se não fosse o pouco de silagem armazenada, o problema iria se agravar muito mais por causa da falta de pastagem para os animais. A produção de cada vaca era de 20 litros por dia. Agora está entre oito a nove litros.
O podutor e presidente da Associação Bageeense de Leite (Abaleite), Vilmar Luiz Machado Porcellis, 58 anos também morador dos Olhos D'Água, sustenta a família de quatro pessoas com o leite. Segundo ele, a produção das 18 vacas de sua propriedade teve uma queda de 50% a 55%. “Mas ainda estou faceiro porque há outros que nem isso têm”, diz resignado. A esposa do produtor, Elaine Sampaio Pocellis, 57 anos, economiza o consumo de água dentro de casa. Por enquanto a família ainda conta com a cacimba cheia. “Isso aqui é a nossa salvação”, diz Porcelli mostrando o reservatório. Já o açude que serve para os animais, está praticamente seco. Um vizinho de Porcellis nem água tem mais na propriedade. Ele tem que contar com o ajuda dos outros moradores da região para enher os baldes para dar de beber aos animais.
O distrito de Palmas que compreende as localidades de Coxilha das Flores, Pedras Grande, Toca, Lixiguana e o Corredor do Apertado, distante cerca de 100 quilômetros da cidade, é uma das regiões mais afetadas pela estiagem. Falta água para o consumo das pessoas, vacas com cria estão morrendo e as plantações de milho, feijão é abóbora não existem mais.
O presidente da Associação de Produtores de Palmas e Joca Tavares, Fanor Souza Alves, avalia a situação como gravíssima. “Três famílias usam a mesma cacimba, isso nunca se via em outros anos”, conta o presidente.
O vereador Edegar Franco de Franco (PT) protocolou na Câmara requerimento ao Executivo, pedindo máquinas e retroescavadeira para fazer a limpeza de reservatório em Palmas. O petista disse que naquela região, animais têm que se retirados do meio da lama, porque os açudes não têm mais água.