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Moradores e veranistas reclamam das condições de trecho da Interpraias

Prefeituras de Imbé e Osório têm visões diferentes sobre assumir a estrada litorânea

Trecho de chão batido da Interpraias em Imara atrapalha desenvolvimento da região
Trecho de chão batido da Interpraias em Imara atrapalha desenvolvimento da região Foto : Guilherme Testa
Os moradores e veranistas do balneário Imara, em Imbé, já têm anestesiado na memória os problemas causados pelas más condições do trecho da Interpraias que liga o balneário a Atlântida Sul e outras praias. Com cerca de 1 quilômetro de extensão, a avenida de chão batido possui inúmeros buracos e acúmulos de água dos dias de chuva, fazendo com que a travessia seja arriscada para veículos de passeio, além de ser a única alternativa para muitos ônibus de turismo, já que é proibida a circulação destes na Estrada do Mar e a BR 101 é distante.

Além dos problemas gerados pela atual situação do trecho, os moradores e veranistas de Imara enxergam no asfaltamento da via uma oportunidade de dar vida nova a região. “Aqui (Imara) e em Santa Teresinha está tudo muito jogado. Parece que desistiram das duas”, afirmou o aposentado Rogério de Melo, 63. Assim como ele, há quem perceba que o movimento na região está em queda.



“Somos veranistas de Imara há 14 anos. Em todo esse tempo a Interpraias está da mesma forma, mas este ano está pior”, considerou o bancário Denilson Maciel, 50. Ele e a esposa, a professora Magda Maciel, 50, possuem uma casa logo após o final do trecho, e relataram que a circulação de veículos de passeio está cada vez mais baixa. “Todo mundo evita. Todo ano vários carros atolam”, contou. Com isso, o tráfego no local está quase limitado a caminhões e ônibus.

Durante a travessia do trecho, a sensação é ambígua. Ao mesmo tempo que o risco de o veículo atolar é evidente e o deslocamento seja desconfortável, a vista é única. A via fica praticamente em cima das dunas, com toda visão da beira da praia. “Não há quem não enxergue que se trata de um ponto privilegiado”, disse Melo.

Entretanto, a mudança ainda parece estar distante. De acordo com o vice-prefeito de Imbé, Luis Henrique Vedovato, o asfaltamento do trecho seria de responsabilidade do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). “Num primeiro momento, reconstruímos a estrada para ficar pronta para o asfaltamento e transitável”, disse Vedovato. Segundo ele, o município tem a pretensão a de assumir a responsabilidade do trecho, caso o Daer realize o asfaltamento. Inclusive, sobre a possibilidade de os municípios assumirem as obras do trecho, o vice-prefeito alegou que não há movimentação nesse sentido. “Nada adiantaria Imbé pavimentar se Osório não pavimentar”, argumentou.

Da mesma forma, o prefeito de Osório, Eduardo Abrahão, disse que a obra não está na programação do município, podendo ser apreciada somente ao longo da gestão. “O que fazemos é a manutenção da via, assim como a retirada dos cômoros de areia para manter o local transitável”, relatou Abrahão. O prefeito ainda disse que os cômoros de areia seriam um dos principais problemas da região. Por sua vez, o Daer afirmou que não é responsável pelo trecho.