A caixa, mais tarde encontrada por clientes que suspeitaram do problema, estava fechada e lacrada com fita crepe. Os filhotes nem sequer tinham frestas para renovação do ar que respiravam. Eles foram resgatados e encaminhados para adoção sob termos de responsabilidade em uma empresa assistida por ONGs.
O fato ocorreu na semana passada. Comoveu os moradores do bairro Cavalhada e revoltou integrantes dos movimentos protetores dos animais de toda a Capital. Dezenas de pessoas levaram faixas, cartazes e caixas de papelão com bichos de pelúcia para a frente da loja, que não abriu neste sábado, para simbolizar o abandono.
“Bicho não é lixo”, defendeu a militante Carolina Martins, 26 anos. Segundo ela, a articulação do movimento foi feita em sites de relacionamento. Noeli Soares, 63 anos, ficou sabendo e resolveu aderir ao protesto. “Mexeu com os animais, mexeu comigo”, garantiu a dona de casa.
A manifestação foi pacífica. Uma guarnição da Brigada Militar acompanhou o protesto e isolou a fachada da loja para impedir eventuais altercações.
A corretora de seguros Ana Lúcia Cortez, 30 anos, também soube do manifesto pela internet e compareceu. “Paguei R$ 50 para eles ajudarem a achar um lar para minha gatinha. Não pude continuar com ela, pois meu filho sofreu com alergias. No outro dia, a gata, já adulta, tinha sumido da vitrine, mas eles se recusaram a dar detalhes sobre a adoção”, disse, preocupada.
A reportagem do Correio do Povo tentou contato com os proprietários da agropecuária, tanto no local quanto por telefone, e não foi atendida. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, pelo Ministério Público Estadual e pela Secretaria Especial dos Direitos Animais da Prefeitura.