Enquanto algumas praias do Litoral Norte parecem abandonadas pelo poder público, outras esperam os veranistas com modificações na arquitetura urbana.
Pinhal
A advogada Dilva Fragoso de Souza Alflen, de 74 anos, foi para Pinhal à procura de qualidade de vida e para continuar o tratamento contra o câncer de mama. Ficou decepcionada nos últimos anos. Ela reside na praia há 7 anos e afirma que nunca foi tão difícil residir na cidade como agora. Dilva reclama da insegurança, que antes não sentia. Ela, que mantém um escritório de advocacia na cidade, diz ter muito medo, ficando trancada dentro de casa. “Aqui, vivemos em casa chaveados. É muito roubo”, comenta. “Vimos um grupo carregando móveis e outros objetos e pensamos que era mudança. No outro dia, descobrimos que era uma quadrilha e que tinham arrombado uma residência”, descreve.
Segundo outro residente na cidade, Hélvio Malik, além dos arrombamentos, assaltos à mão armada nas ruas estão se tornando frequentes. “Esse tipo de crime não ocorria antes”, ressalta Maliuk, residente em Pinhal há 18 anos. “Agora, precisamos estar sempre atentos em todos os lugares”.
Dilva também reclama dos programas de um centro de atendimento que ela frequenta. Esses foram, segundo ela, cancelados pelo atual prefeito. Uma das atividades é a aula de educação física, que cerca de 80 idosos costumam frequentar e que a partir do próximo dia 30 não terão mais a atividade. “Vamos ser prejudicados”, ressalta Dilva. “Creio que esta decisão deveria ser da prefeita que vai entrar e não do atual chefe do Executivo, que está saindo”, afirma. Outro item é a saúde. Maliuk cita um PSF (Programa de Saúde da Família) que foi feito, mas ainda não está em funcionamento. O prédio está pronto, de acordo com Maliuk, mas não há atendimento. “Além disso, a farmácia do município está com uma lista de remédios que estão em falta”, conta.
Em Pinhal, os buracos nas ruas também fazem com que os moradores percam a paciência. Eles alegam ter prejuízos com os seus veículos. Muitos afirmam que não saem mais com seus carros, pois já tiveram que trocar as suspensões dos automóveis mais de uma vez devido aos buracos nas vias, como por exemplo, a avenida Humberto de Alencar Castello Branco, onde fica a Câmara de Vereadores. A situação está se degradando cada vez mais, afirma Maliuk. Segundo ele, a avenida Paraguaçu/Itália, uma das principais da cidade, está terrível e piorando. “A cidade é só buraco”, reclama. “Além disso, o atendimento à saúde deixa a desejar”.
A prefeitura afirma que o PSF será inaugurado este ano e que outros postos estão em funcionamento e atendendo a população. Quanto aos buracos, de acordo com o chefe de Gabiente da prefeitura, Ubirajara Kreceski, o Executivo teve que fazer opções de onde investir o dinheiro, preferindo outras obras. “A Paraguaçu é de responsabilidade do Estado e não nossa”, afirma. “Quanto a segurança, me sinto muito seguro aqui em Pinhal”, afirma, ressaltando que a prefeitura fez convênio com a Brigada Militar, prestando ajuda a corporação. “Segurança, se nós não ajudarmos, a situação fica complicada.”
Capão da Canoa
Em Capão da Canoa, os turistas terão uma surpresa neste veraneio. A orla foi totalmente modificada, dando lugar a um amplo calçadão, com bancos para aproveitar os fins de tarde à beira-mar. No meio, uma cancha de bocha, para quem curte o esporte. Também há uma quadra de basquete. Os quiosques, que foram retirados para a construção do calçadão, devem voltar quando a temporada de veraneio se iniciar. Todo o local conta com iluminação em led, tanto para os jogos como para quem quer caminhar pelo local.
Morador há 50 anos de Capão da Canoa, Pedro Copatti, de 77 anos, aproveita a nova cancha de bocha, praticamente à beira-mar, com os amigos. Ele afirma que a segurança é uma incógnita, problema de difícil solução. “O governo teria que colocar um guarda para cada cidadão para resolver o problema”, comenta. “Como isso não é possível, o problema fica pendente”, ressalta, salientando sentir-se muito seguro quando anda pelas ruas de Capão.
A saúde também está melhor, comenta Capatti. Ele afirma que seus amigos também consideram o atendimento muito bom. “Tenho amigos e conhecidos que precisaram de atendimento médico e foram otimamente atendidos”, conta. “A cidade em si está muito boa, principalmente com a conclusão da obra à beira-mar.”
Se Copatti sente-se seguro em Capão da Canoa, o mesmo não acontece com o comerciante Rogério Ferrari, de Capão Novo. Residente há 16 anos no local e tendo um estabelecimento comercial na avenida Paraguaçu, ele afirma não se sentir seguro no inverno, quando o posto da BM, situado a cerca de meia quadra de sua loja, está fechado. O local abre apenas no verão. Quando ocorre algum assalto, é preciso ligar para Capão da Canoa. “O que ocorre mais aqui é furto”, salienta. “O comerciante sempre fica com o coração na mão”. A BM informou que o efetivo de Capão atende a região no período fora do veraneio. O posto só abre no verão. Quanto a saúde, existe um posto na região, mas não atende 24 horas. “O atendimento é tranquilo, mas nem sempre tem médico”, afirma. “Muitas vezes, temos que agendar a consulta”.
Arroio do Sal
Em Arroio do Sal os moradores também esperam que a segurança seja ampliada. Apesar de não ter registro de grandes crimes na cidade, a onda de ataques a bancos assusta os moradores. Até o momento, as agências de Arroio do Sal não sofreram nenhum ataque. O comerciante Thiago Sobeldia, 34 anos, lembra que o efetivo da BM na região é pequeno, contando com apenas uma viatura para patrulhar da praia de Bom Jesus até Rondinha, mas, mesmo assim, a cidade está calma. “A saúde é que nos deixa preocupados. O atendimento no posto de saúde é demorado”, reclama.
No geral, a cidade apresenta ruas em boas condições e na orla é possível dar um passeio na areia, mesmo com chuva. Mesmo com a possibilidade de receber turistas, certas pousadas da cidade permanecem fechadas nesta época do ano.
Torres
Em Torres, a segurança também é a maior preocupação dos moradores. Com uma estrutura turística considerada boa, as ruas da cidade estão em condições de trafegar, mesmo que em alguns pontos apareçam poças d’água. Na beira da praia, mesmo em dias de chuva, turistas se aventuram a caminhadas na areia. Amanda Souza, 26 anos, era integrante do grupo de seis jovens que resolveram passear pela praia. Nascida em Torres, ela alega que a violência é a sua maior preocupação.
Assaltos, em especial nos bairros, são constantes. “Tenho receio de sair à noite”, afirma. “Prefiro ficar em casa assistindo TV ou conversando com amigos”, ressalta a garota, que pretende fazer um cursinho para entrar na faculdade de Administração. O comerciante Jorge Fontoura, 60 anos, residente no município há 40 anos, também tem como preocupação principal a segurança. Em sua loja de suvenires já ocorreram furtos. “Por sorte, não houve assalto, mas já me furtaram algumas vezes.” A Brigada Militar de Torres conta com apenas uma viatura, que faz a ronda no município. Quanto à saúde, segundo Amanda, não dá para reclamar. Ela alega que sempre foi bem atendida nas vezes que precisou, tanto nos postos quanto no hospital. Fontoura também considera a área razoável.
Moradores reclamam da insegurança nas praias do Rio Grande do Sul
Em Capão da Canoa, orla contará com amplo calçadão