A Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) da Câmara Municipal de Porto Alegre tratou, nesta terça-feira, de um tema que vem causando a indignação dos moradores dos bairros Menino Deus e Petrópolis, em Porto Alegre. O problema diz respeito ao comportamento de jovens que moram no abrigo localizado na rua General Oliveira Freitas, que vem “tirando o sono” da população local.
Conforme moradores, o barulho no local é “infernal”. “Realmente o tumulto é muito grande. Não temos mais sossego durante um minuto sequer das 24 horas do dia. A casa se tornou o terror da região”, declarou o engenheiro Roberto Militão Ortiz Pereira, que mora ao lado. Segundo ele, até roubos de carros, que praticamente inexistiam nas redondezas, começaram a ocorrer.
A própria Fasc admitiu que realmente não houve uma melhor avaliação sobre as condições da residência para abrigar os jovens. A instituição garantiu que já está à procura de um novo imóvel. Conforme o diretor técnico da entidade, Mauro Vargas, será necessário desfazer o contrato e encontrar um prédio em condições de abrigar jovens atendidos no local. O diretor administrativo da Fasc, Carlos Fett, informou que a ideia do proprietário do local é vender a casa, o que facilitaria o rompimento contratual, um dos obstáculos ao fechamento da residência.
Foi acertado um prazo de 30 dias para que a instituição apresente dados mais concretos sobre a transferência. “Assumimos a falha na escolha do imóvel, mas sabemos que a sociedade também é responsável pelas crianças que hoje habitam o abrigo”, disse Vargas.
A presidente da Associação dos Amigos e Moradores do Bairro Menino Deus, Alzira Dornelles Ban, ressaltou que o problema tem como causa a falta de comunicação entre a prefeitura e os moradores. “Se fôssemos contatados poderíamos inclusive estar colaborando com a entidade”, declarou. Ela destacou também que a maioria da população que reside na rua é composta por idosos e aposentados. “São pessoas que compraram imóveis ali para descansar, imagine só”, protestou.
Em relação ao caso semelhante ocorrido na avenida Lucas de Oliveira, a Sociedade Espírita Maria de Nazaré e condomínio edifício residencial Punta Carretas já formalizaram denúncia contra a casa João de Barro. Os moradores pediram como providência imediata que seja suspensa a prática de futebol e dos jogos de mesa devido à perturbação causada aos vizinhos, principalmente aos 30 idosos, entre 64 a 98 anos, que vivem no lar mantido pela Sociedade Espírita.
Depois do encontro, ficou acertado que a Fasc levará o assunto ao conhecimento do presidente da instituição para que, junto com uma comissão, possa encontrar uma solução. No dia 22, será realizada uma nova reunião. O Abrigo João de Barro atende 20 jovens.
Estiveram presentes à audiência, o presidente da Cedecondh, DJ Cassiá, que presidiu as reuniões, o vice-presidente Adeli Sell (PT), e o vereador Toni Proença (PPS), também integrante da comissão, e o vereador Bernardino Vendruscolo (PMDB).
Moradores reclamam de abrigo da Fasc
Jovens atendidos pela instituição estariam criando problemas no bairro Menino Deus