Morre em Gramado o primeiro gaúcho infectado pela variante do Amazonas da Covid-19

Morre em Gramado o primeiro gaúcho infectado pela variante do Amazonas da Covid-19

Variante P1 é considerada mais transmissível do que a P2, a variante que predomina até então no RS

Gabriel Guedes

Variante P1 é considerada mais transmissível do que a P2, a variante que predomina até então no RS

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Horas após o anúncio pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) da presença no Rio Grande do Sul da variante P1 do vírus que provoca a Covid-19, o paciente de 88 anos que estava infectado por esta linhagem teve a morte confirmada oficialmente na noite de sexta-feira. Se trata da 48ª morte por Covid-19 em Gramado, na região das Hortênsias.

Esta variante surgida no estado do Amazonas tem como característica maior transmissibilidade. Até então, no RS predomina a P2, mas uma nova edição do estudo genômico, dando detalhes das variantes do vírus presentes no RS, não havia sido divulgado pela SES, que vem adiando a apresentação desde sexta à noite.

Segundo secretário de Saúde de Gramado, Jeferson Moschen, o homem, morador possuía comorbidades e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para infectados por Covid-19, do Hospital Arcanjo São Miguel, no dia 3 de fevereiro. Ele acabou morrendo na quarta-feira, dia 10. A SES não divulgou a cidade exata do caso e da morte, mas confirmou que é também na Serra Gaúcha. Durante a internação, o paciente permaneceu junto aos demais, no espaço Covid. “Somente ontem à tarde ficamos sabendo, depois de dois dias do óbito. A demora no resultado prejudica todo o trabalho”, critica o Moschen.

Além do RS, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já encontraram a variante P1 do novo coronavírus, descrita pela primeira vez no Amazonas, em mais cinco estados: Pará, Paraíba, Roraima, Santa Catarina e São Paulo, segundo nota divulgada também na sexta-feira pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Casos provocados pela nova variante P1 também já foram confirmados pelas secretarias estaduais de Saúde da Bahia, do Ceará e de Pernambuco.

Até o momento, não há dados que relacionem essa variante a quadros mais graves da Covid-19, porém as mutações identificadas nela são semelhantes às das variantes encontradas no Reino Unido e na África do Sul, e têm potencial de facilitar a transmissão.
No texto divulgado pelo instituto, a pesquisadora Paola Cristina Resende ressalta que "é importante lembrar que as linhagens P1 e P2 já foram associadas a casos de reinfecção no país. Por isso, é fundamental a continuidade das medidas de prevenção, como a utilização de máscara de proteção, a higienização frequente das mãos e evitar aglomerações".  

Em todo o país, especialistas da Rede Genômica Fiocruz integram um esforço que já sequenciou quase 3,6 mil amostras coletadas no Brasil, sendo 1.035 em São Paulo, 726 no Rio de Janeiro, 340 no Amazonas, 306 Rio Grande do Sul, 167 na Paraíba, 150 em Pernambuco e as demais em outros estados.

Mais de 60 variantes

Um balanço desse trabalho aponta que mais de 60 linhagens do vírus já foram encontradas no país, porém predominam a B.1.1.33 e a B.1.1.28, que circulam no Brasil desde março. O surgimento de linhagens diversas é um processo comum nos vírus, e, na maior parte dos casos, as mudanças implicam pequenas diferenças no material genético.

Foi a B.1.1.28 que, após mutações, deu origem à variante P1, encontrada no Amazonas, e à P2, descrita pela primeira vez no Rio de Janeiro. Ambas são consideradas "variantes de preocupação" e apresentam modificações na proteína spike, estrutura do vírus que se conecta às células humanas. No caso da P1, há três mutações relacionadas à proteína (K417N, E484K e N501Y), e, na P2, uma mutação (E484K).

No Amazonas, a variante P1 foi apontada como a causadora de 91% dos casos da Covid-19 que tiveram seu material genético sequenciado em janeiro. A variante se tornou a dominante no estado, tomando o lugar da B.1.1.28.

De forma semelhante, a variante P2 também tem ampliado sua presença no Rio de Janeiro, que antes tinha predomínio da B.1.1.33. A nova variante também já foi identificada em outros estados, como em Rondônia, segundo pesquisa divulgada na quarta-feira por pesquisadores da Fiocruz no estado.  

Entre os objetivos dos pesquisadores estão entender a dispersão das linhagens do coronavírus no território nacional e identificar se as mutações recém descritas podem afetar a resposta induzida pelas vacinas.

Em nota publicada na quarta-feira pela Fiocruz Rondônia, o infectologista Juan Miguel Villalobos-Salcedo destacou a necessidade de conter a circulação do vírus. "Quanto mais casos ativos tivermos em uma população, mais chances nós temos de propagar a doença e, consequentemente, mais possibilidades teremos de provocar novas mutações do vírus".


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