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Morre mulher que salvou filho de incêndio em Sapiranga

Cremers abriu sindicância para apurar espera de 34 horas da vítima por leito em UTI de queimados

Duas semanas depois de salvar o filho de sete anos de um incêndio, a moradora de Sapiranga Angelina Mazzo, de 39 anos, morreu com 60% do corpo queimado no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre. A paciente chegou a esperar 34 horas, no setor de enfermagem do Hospital Beneficente Sapiranguense, até conseguir um leito em UTI especializada em queimados.

A casa dela pegou fogo na manhã de 19 de setembro, na rua Geraldo José Almeida, bairro Oeste. Outras duas casas vizinhas foram atingidas. Angelina conseguiu resgatar o filho Antônio em meio às chamas. O menino não sofreu ferimentos graves e está com familiares. Ela teve queimaduras nas vias respiratórias e, principalmente, nas costas e no rosto.

O caso é um dos investigados por sindicância aberta pelo Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers). O outro, também na região Metropolitana, envolve a morte do morador de Viamão, Davi Oliveira Gonçalves, de 78 anos. Ele faleceu há cerca de três semanas no hospital do município após esperar 16 dias por um leito cirurgico. A vítima sofreu um AVC hemorrágico e necessitava de uma neurocirurgia, mas não conseguiu leito.

O presidente do Cremers, Fernando Matos, afirmou que ambos os casos se enquadram no sistema de vaga zero, quando o gestor é obrigado a garantir o atendimento de pacientes com quadros de urgência, comprando leitos SUS ou particulares, se necessário. O objetivo do conselho é saber onde ocorreu a falha. Conforme o presidente, os hospitais envolvidos já prestaram esclarecimentos. As secretarias da Saúde do Estado e de Porto Alegre ainda não se manifestaram. Ele estima que em até duas semanas possa concluir a sindicância.

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