O número de óbitos no Rio Grande do Sul entre 2014 e 2015 caiu de 2.078 para 1.821, com redução de 257 mortes. Nos últimos cinco anos, a queda foi de 459.
Entre as causas de mortes com redução significativa, estão os acidentes com automóvel e os atropelamentos, com um decréscimo de 23,9% e 21,5%, respectivamente. Entre os motociclistas também houve redução da mortalidade em 4,8%.
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Segundo o balanço, divulgado na segunda-feira, o endurecimento da lei seca contribuiu para a queda no número de mortes de trânsito. “A redução pode estar relacionada à efetividade das ações de fiscalização após a lei seca, que neste ano completa 9 anos de vigência. Além de mudar os hábitos dos brasileiros, a lei trouxe um maior rigor na punição e no bolso de quem a desobedece”.
O condutor que ingerir qualquer quantidade de bebida alcoólica e for flagrado em fiscalização de trânsito está sujeito a multa no valor de R$ 2.934,70 e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Em caso de reincidência, o valor da multa é dobrado.
Apesar da queda de mortes por acidentes e da rigidez da lei, houve aumento de 32% de brasileiros que combinam álcool e direção. Com dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), o Ministério da Saúde revela que, em 2016, 7,3% da população adulta das capitais brasileiras declararam que bebem e dirigem. No ano anterior, o índice foi de apenas 5,5%.
A desaceleração da economia também pode ter favorecido a redução de mortes no trânsito. De 2014 para 2015, o aumento da frota de veículos automotivos no país foi de 4,6%, bem abaixo do registrado de 2010 a 2015, quando a frota total de veículos triplicou.
Para o ministério, a municipalização do trânsito, que é a integração do município ao Sistema Nacional de Trânsito, também teve papel fundamental nessa redução. Com a responsabilidade passando a ser local, as cidades podem criar órgãos executivos. Nos municípios que adotaram a estratégia houve maior redução do número de óbitos por acidentes, com queda de 12,8%. Nos demais, a queda foi menor, 8,9%.
Em números absolutos, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia apresentaram a maior redução de mortes no trânsito. Em contrapartida, Paraíba, Sergipe e Roraima tiveram aumento no número de óbitos. Entre as capitais, Goiânia (GO), Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) se destacaram na queda de vítimas por acidentes de trânsito.
Internações
Em números absolutos, as internações em decorrência de acidentes também apresentaram queda em todo o país. Em 2015, foram 1.018 internações a menos em comparação com o ano de 2014. A maior redução foi entre os pedestres; os ocupantes de automóveis também apresentaram redução nas internações.
Para o Ministério da Saúde, apesar disso, ainda é importante ter atenção com motociclistas e ciclistas no trânsito. Isso porque, entre as vítimas houve aumento nas internações, de 4.061 e 1.669, respectivamente.
“Esses acidentes respondem por boa parte das internações hospitalares e pela maioria dos atendimentos de urgência e emergência, que geram altos custos sociais, como cuidados em saúde, perdas materiais e despesas previdenciárias, além de grande sofrimento para as vítimas e seus familiares”, ressalta a nota.
Em 2015, ocorreram 158.728 internações por acidentes de transporte terrestre com custo de R$ 242 milhões para o Sistema Único de Saúde, sendo que mais de 50% das internações e seus cursos envolveram motociclistas.