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Mosquito transgênico é testado em Piracicaba para atuar na redução do Aeges aegypti

Resultado apresentado com o teste foi avaliado como positivo

Resultado apresentado com o teste foi avaliado como positivo
Resultado apresentado com o teste foi avaliado como positivo Foto : Guilherme Testa
O aumento dos casos de dengue pela proliferação do mosquito Aedes aegypti tem preocupado autoridades mundiais a buscarem novas formas de combate. Entre um dos métodos inovadores, ainda em teste, está a criação e a soltura no meio ambiente de um mosquito transgênico, que atuaria na redução das larvas do mosquito selvagem. A iniciativa está sendo testada desde abril do ano passado pela prefeitura de Piracicaba, em São Paulo, em parceria com a empresa Oxitec.

O Projeto Aedes aegypti do Bem foi desenvolvido no bairro CECAP/Eldorado do município paulista e consiste na criação de mosquitos Aedes aegypti em laboratório. Cerca de 800 mil mosquitos estão sendo liberados no local de teste a cada semana. O objetivo é fazer com que esses mosquitos cruzem com as fêmeas, que só copulam uma vez. Devido a modificação genética, as larvas morrem. A probabilidade do cruzamento não acontecer é de 0,02%.

O mosquito Aedes aegypti selvagem dura em torno 30 a 40 dias. Já o transgênico até quatro dias. Dessa forma, não apresentaria risco de contaminação para a população, segundo o assessor especial da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba Rodrigo de Proença Guidi. “É uma técnica bastante segura. A gente só solta o macho para copular com a fêmea e reduzir as larvas selvagens”, explicou.

O resultado apresentado com o teste foi avaliado como positivo. A quantidade de larvas selvagens do Aedes aegypti coletadas em armadilhas na área tratada ficou 82% menor, na média de quatro semanas, na comparação com a área não-tratada, que fica no bairro Alvorada, há 1,5km da região que recebe o projeto.

Conforme Guidi, os testes custaram 150 mil por ano para o município, que possui cerca de 400 mil habitantes. Devido ao resultado, a área de teste deve ser expandida para a região central, que deve receber mais investimentos. “Gastamos mais em prevenção por ano do que nos testes e ainda não temos pessoas doentes”.

Já para a bióloga da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre Maria Mercedes Bendati, a iniciativa ainda tem pouco tempo de testes e precisa ser melhor avaliada para chegar a capital gaúcha. “Está em um nível muito preliminar de estudos. Não podemos garantir que isso não possa aumentar a proliferação de outra espécie de Aedes. Também não podemos esquecer do ponto de vista financeiro, assim como de infraestrutura que não temos disponível”, ressaltou. “Não existe uma solução milagrosa”.