O aumento dos casos de dengue pela proliferação do mosquito Aedes aegypti tem preocupado autoridades mundiais a buscarem novas formas de combate. Entre um dos métodos inovadores, ainda em teste, está a criação e a soltura no meio ambiente de um mosquito transgênico, que atuaria na redução das larvas do mosquito selvagem. A iniciativa está sendo testada desde abril do ano passado pela prefeitura de Piracicaba, em São Paulo, em parceria com a empresa Oxitec.
O Projeto Aedes aegypti do Bem foi desenvolvido no bairro CECAP/Eldorado do município paulista e consiste na criação de mosquitos Aedes aegypti em laboratório. Cerca de 800 mil mosquitos estão sendo liberados no local de teste a cada semana. O objetivo é fazer com que esses mosquitos cruzem com as fêmeas, que só copulam uma vez. Devido a modificação genética, as larvas morrem. A probabilidade do cruzamento não acontecer é de 0,02%.
O mosquito Aedes aegypti selvagem dura em torno 30 a 40 dias. Já o transgênico até quatro dias. Dessa forma, não apresentaria risco de contaminação para a população, segundo o assessor especial da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba Rodrigo de Proença Guidi. “É uma técnica bastante segura. A gente só solta o macho para copular com a fêmea e reduzir as larvas selvagens”, explicou.
O resultado apresentado com o teste foi avaliado como positivo. A quantidade de larvas selvagens do Aedes aegypti coletadas em armadilhas na área tratada ficou 82% menor, na média de quatro semanas, na comparação com a área não-tratada, que fica no bairro Alvorada, há 1,5km da região que recebe o projeto.
Conforme Guidi, os testes custaram 150 mil por ano para o município, que possui cerca de 400 mil habitantes. Devido ao resultado, a área de teste deve ser expandida para a região central, que deve receber mais investimentos. “Gastamos mais em prevenção por ano do que nos testes e ainda não temos pessoas doentes”.
Já para a bióloga da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre Maria Mercedes Bendati, a iniciativa ainda tem pouco tempo de testes e precisa ser melhor avaliada para chegar a capital gaúcha. “Está em um nível muito preliminar de estudos. Não podemos garantir que isso não possa aumentar a proliferação de outra espécie de Aedes. Também não podemos esquecer do ponto de vista financeiro, assim como de infraestrutura que não temos disponível”, ressaltou. “Não existe uma solução milagrosa”.
Mosquito transgênico é testado em Piracicaba para atuar na redução do Aeges aegypti
Resultado apresentado com o teste foi avaliado como positivo