Durante o Fórum Social Temático, em janeiro, até 40 pessoas passaram as noites no local. Mas, ao contrário do que os moradores das redondezas pensavam, o movimento teve continuidade mesmo após o evento, embora com um número reduzido de militantes - hoje, são cerca de dez que dormem em barracas montadas dentro da praça.
"É cerceamento de liberdade, sujeira e falta de compostura. Os turistas chegam ali e está tudo sujo e fedorento", reclamou a professora Janice Sfreddo, que diariamente leva o seu cachorro para passear. "Tentamos conviver pacificamente", disse outra moradora, que prefere não se identificar. "Já mandamos e-mail para Smam e vereadores, mas não tivemos retorno", completou. A opinião, porém, não é unânime. "Acho que é o exercício da democracia. Todos têm o direito de se manifestar", afirmou o músico Sandrino Escobar, que vai à praça com as filhas.
Os manifestantes estenderam uma lona sobre o espaço onde ficam os móveis e a comida, fruto de doações. "Nas feiras, ajudamos (os comerciantes) com as barracas, falamos do projeto e algumas pessoas nos apoiam. A maioria são coisas que não podem mais ser vendidas", explicou Sebastian, 28 anos, que afirma ser natural da Bélgica e não revela o sobrenome. O local tem uma biblioteca, onde há livros como a biografia de Fidel Castro.
Participação nas decisões políticas
Em seu site na Internet, o grupo Ocupa PoA define-se como "uma reunião de pessoas - não de movimentos, nem de partidos - que percebem uma possibilidade de evolução da participação popular nas decisões políticas". "Uma das formas de protesto é a ocupação do espaço público", alegou o estudante de Ciências Sociais da Ufrgs Maurício Jardim, 19, acampado há 40 dias. Entre as bandeiras defendidas, estão a luta contra o novo Código Florestal, as grandes hidrelétricas e o aumento da passagem de ônibus.