O quinto ato do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa no transporte público de São Paulo foi marcado pelo fechamento do Terminal Parque Dom Pedro II e por adesão menor do que os protestos anteriores.
Os cerca de 400 manifestantes, segundo a PM (ante 3 mil no primeiro ato), se reuniram a partir das 17h desta quinta-feira, no terminal, na região central de São Paulo. Às 20h começaram a caminhar, sem que o trajeto fosse acertado entre as partes - o movimento queria seguir para a Assembleia Legislativa e a PM, para a República.
Os ativistas marcharam até a Prefeitura, na região central, e sem conseguir romper o bloqueio da PM seguiam, às 21h, o trajeto proposto pela Secretaria da Segurança Pública- que havia alegado o risco de misturar o ato com uma manifestação de vans. O ato era pacífico.
Também houve uma mudança de estratégia do lado dos manifestantes. Pela primeira vez neste ano, não havia mascarados na linha de frente. Os black blocs seguiam dentro do cordão de isolamento da PM, espalhados no meio do grupo.
A concentração estava marcada para 17h, mas às 16h30 a Prefeitura já havia fechado o terminal de ônibus, causando transtorno aos usuários. O local tem linhas que ligam o centro à zona leste. Os caminhões do Choque e as viaturas da PM substituíram os coletivos nas baias.
Funcionários orientavam passageiros a pegar linhas do lado de fora do terminal, que é o maior entre os 27 da capital. O operador de máquina Oswaldo Silva Santos, de 52 anos, tomaria um ônibus para Guaianases, na zona leste, quando foi informado sobre o impedimento. "A manifestação é certa, não tem o que discutir. Mas atrapalha muito a vida de quem mora longe. Queria ver mais protestos na periferia. Tudo está caro, principalmente a conta de luz", disse.
A vendedora Cátia Reginalda Costa, de 42 anos, que mora na Barra Funda, teve de voltar a pé para casa. "Já estou me acostumando a andar na volta para o trabalho por causa desses protestos. Acho que o Passe Livre faz isso para agradar eles próprios. Acho certo o protesto, mas não acredito que vai reduzir a tarifa. Para mim, é só política", afirmou.
Entrave
A negociação sobre o trajeto a ser seguido, entre o tenente-coronel Henrique Motta, comandante de operação, e integrantes do MPL, começou às 18 horas e se estendeu por duas horas, sem consenso.
Luisa Cytrynowicz, uma das porta-vozes do Passe Livre, disse que os ativistas divulgaram com antecedência o caminho, com previsão de encerramento na Assembleia Legislativa. "Publicamos no Facebook e o outro protesto no centro já terminou. São os manifestantes que determinam o trajeto". Essa rota, no entanto, foi negada pela PM.
O comandante Motta afirmou que não houve tempo para se programar, pois o percurso do MPL foi divulgado às 15h. O oficial da PM chegou a informar que "poderia acontecer" o mesmo que ocorreu na Avenida Paulista em 12 de janeiro, se os manifestantes não colaborassem. Na ocasião, a PM dispersou o segundo ato do MPL com bombas de efeito moral, antes de a caminhada começar.
Apesar do aviso de Motta, o MPL decidiu começar a passeata sem a resposta da PM, às 20h. A linha de frente era formada por jovens com as mãos para o alto. "Deixa passar a revolta popular", gritavam.
O ato seguiu em ritmo lento pela próxima hora. Na frente do prédio da Secretaria de Estado de Transportes Metropolitanos, na Rua Boa Vista, os manifestantes se sentaram no chão e gritaram palavras de ordem contra os empresários. Ali, o Choque montou uma linha de homens com escudos para evitar que os manifestantes entrassem no Corredor Norte-Sul.
Movimento Passe Livre fecha terminal, mas adesão cai
Conforme a PM, cerca de 400 manifestantes se reuniram na região central de São Paulo