*Com informações da repórter Mauren Xavier
A manifestação de caminhoneiros autônomos iniciada na segunda-feira perdeu força nesta terça. Há protesto nas rodovias gaúchas desde a madrugada, porém a maioria dos motoristas que permaneceu no movimento ficou no acostamento sem realizar bloqueios. Segundo levantamento divulgado nesta tarde, oito pontos em sete estradas têm manifestações de trabalhadores no RS.
A chuva também contribuiu para desmotivar quem protestava nas estradas. No início da manhã, o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) contabilizava três pontos com paralisação. Em Ibirubá, manifestantes convidavam colegas a participar no Km 53 da ERS 223. Já em Santa Cruz do Sul, no Km 104 da RSC 287 veículos transportadores de combustível estavam sendo parados. Em Caxias do Sul, no Km 68 da ERS 122, próximo a Farroupilha apenas os caminhões com carga viva ou perecível podiam continuar. O número reduziu para quatro nesta tarde.
Nas rodovias federais, depois de chegar a nove pontos pela manhã desta terça-feira, apenas seis seguiram com movimentos à tarde: no km 247 da BR 293 em Dom Pedrito, no km 202 da BR 386 em Passo Fundo, no km 337 da BR 365 em Carazinho, no km 717 da BR 293 em Porto Xavier e nos Kms 155 e 168 da BR 472 em Santa Rosa.
Os caminhoneiros Tiago Andrade, 30 anos, e José Lino, 32, escolheram um posto de combustíveis em Três Cachoeiras, no Litoral Norte, para parar e tomar um café. Eles saíram na noite de segunda-feira de Curitiba, no Paraná, para entregar carga de 7 toneladas de confecções divida em dois caminhões baú. Um deles vinha em direção a Porto Alegre e o outro a Pelotas. Ambos optaram por não participar do manifesto. “Não vale a pena. Já fomos parados outras vezes e não adiantou”, declarou Lino, que atua na área há cinco anos.
Ele reclamou do valor do frete e do preço do óleo diesel. Essas são algumas das questões que incomodam a categoria desde o início do ano quando começaram os protestos. O Comando Nacional do Transporte, que organizou o movimento, afirma que as promessas do governo federal não foram cumpridas. O que motiva a manifestação é também o pedido de renúncia da presidente Dilma Rousseff.
Andrade declarou que muitos motoristas defendem a pauta, mas têm prejuízos aderindo ao protesto, porque perdem dias de trabalho. Além disso, ele afirmou que há risco de pagar multa. Por outro lado, quem não quer parar, acaba ficando com medo de prosseguir viagem, pois há casos de condutores apedrejados.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, declarou que a paralisação tinha interesse no desgaste político do governo, porque os caminhoneiros em greve não apresentaram uma pauta de reivindicações. Já o líder do Comando Nacional de Transporte, Ivar Luiz Schmidt, reclamou de falta de diálogo com o governo e demora em dar início à negociação. O movimento quer que as demandas sejam atendidas até março.
Confira os trechos com manifestações no RS
Federais
BR 293 - km 247 – Dom Pedrito
BR 286 - km 302 – Passo Fundo
BR 265 – km 337 – Carazinho – Acesso à ERS 142 em direção a Não Me Toque
BR 293 – Km 717, 8 – Porto Xavier
BR 272 – KM 155,5 – Santa Rosa
BR 472 – km 168 – Santa Rosa
Estaduais
ERS-223 – km 53, em Ibirubá
RSC-287 – km 104, em Santa Cruz do Sul
Movimento perde força e manifestações atingem sete rodovias gaúchas
Chuva contribuiu para redução dos pontos com manifestações dos caminhoneiros