Um grupo que reúne moradores e frequentadores do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, criou um movimento em contraponto às proposições apresentadas recentemente que pretendem alterar as regras atuais na região boêmia, entre elas, reduzir o horário de funcionamento de bares e casas noturnas. O “Movimento Viva Cidade Baixa” elaborou um documento e realizou uma petição pública virtual que, em menos de dez dias, recolheu mais de 4 mil assinaturas de apoio.
Nessaa segunda-feira, o Movimento Viva Cidade Baixa encaminhou e-mail para o presidente da Câmara de Vereadores, Cassio Trogildo (PTB), solicitando a realização de uma audiência pública para apresentar o abaixo assinado organizado pelo grupo e, além disso, pedindo também que sejam informados e convidados para reuniões que tratam das questões do bairro.
No documento, o grupo destacou as características históricas do bairro como o fato de ser o berço de manifestações culturais que reportam ao início do século 20, que respeita e promove a diversidade, com vocação para o turismo e a vida noturna. Com relação à segurança, o grupo chama a atenção para o fato de que a tentativa de reduzir o horário de funcionamento dos estabelecimentos provocarão efeitos contrários aos pretendidos pelas autoridades.
Na avaliação do Movimento Viva Cidade Baixa, a grande circulação de pessoas pelo bairro no período da noite leva mais segurança aos moradores e frequentadores, “ainda mais em períodos como este, de escasso policiamento”, reforçou o grupo. Segundo dados da Associação dos Representantes dos Estabelecimentos Comerciais da Cidade Baixa, a atividade gera cerca de 1,5 mil empregos diretos. “A limitação mais rígida de horário vai inviabilizar os empreendimentos atuais e novos, além de causar mais desemprego”, indica o levantamento dos ativistas.
O Movimento também ressaltou que entende a necessidade de estabelecer critérios de responsabilidade aos estabelecimentos comerciais. “Questões como a conservação das calçadas e o descarte de lixo são alguns itens que estão na pauta do grupo. Estimular o debate construtivo entre a população e os comerciantes, incentivar a realização de eventos culturais para evitar o abandono de praças e espaços que acabam sendo usados pelo tráfico de drogas, e o apoio às feiras de artesanato e economia solidária também terão a atenção do grupo”, afirmam.
Na próxima segunda-feira, haverá uma reunião na Câmara de Vereadores, quando a Prefeitura deve apresentar as mudanças alterando o decreto que regula o comércio no bairro. “Vamos endurecer as regras para o comércio irregular, som automotivo alto e comércios que vendam bebida para a rua após a meia-noite”, afirmou o secretário adjunto de Relações Institucionais, Carlos Siegle. O presidente da Câmara vai coordenar um grupo de trabalho para estudar alterações na legislação urbanística para a região.
Movimento Viva Cidade Baixa agenda reunião na Câmara
Grupo de moradores e frequentadores da região se manifestou contrário às proposições apresentadas recentemente