Os manifestantes levantaram as bandeiras do transporte público gratuito, acesso às contas das empresas de ônibus, passe livre para estudantes, desempregados e idosos, como destaque. “Essa é a pauta que gente tá apresentando para toda a população. A cada dia cresce o apoio popular e isso se reflete no número de participantes que adere ao movimento”, ponderou o estudante Matheus Gomes, um dos diretores do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e integrante do Bloco de Lutas Pelo Transporte 100% Público.
No início da semana, uma lista de exigências foi publicada nas redes sociais e reproduzida pelo site do Correio do Povo como sendo a pauta de reivindicações dos movimentos sociais que deram início à onda de protestos. O texto exigia, além de pontos sobre o transporte coletivo, oposição à PEC 37, ao Estatuto do Nasciturno, a qualquer projeto de patologização da homossexualidade, transparências sobre gastos públicos, formulação de leis anticorrupção e penas severas aos corruptos, entre outros.
O Bloco de Lutas Pelo Transporte 100% Público, além de outras organizações sociais como Bloco pela Frente Autônoma, Coletivo Juntos e Bloco pela Federação Anarquista Gaúcha, afirmou à Rádio Guaíba não ser autor do texto. "Nós queremos que eles (governo) se manifestem sobre a nossa pauta e não por coisas que estão sendo jogadas na internet sem responsabilidade nenhuma”, acrescentou Gomes, sobre a nota oficial onde o governo do Estado respondia à lista. O movimento social elaborou uma nova nota oficial onde detalha a pauta de reivindicações.
Os investimentos excessivos para a Copa do Mundo de 2014 segue sendo outro ponto destacado. A luta também é contra a criminalização da militância social. “Essa perseguição nada mais é contra aqueles que se organizam e lutam. Corremos o risco de sermos presos a qualquer momento. Por que essa juventude está sendo perseguida?”, destacou a estudante Lorena Castilhos do Bloco pela Federação Anarquista Gaúcha.
Os atos públicos começaram a aparecer de forma numerosa em Porto Alegre no mês de março, quando o valor foi reajustado para R$ 3,05. Porém, desde abril, o preço está congelado em R$ 2,85 por liminar da Justiça, que o aumento sancionado em março. O prefeito José Fortunati já propôs uma redução para R$ 2,80.
Crítica à violência
O grupo disse não incitar qualquer ato de violência ou vandalismo durante os protestos, mas fez críticas também à atuação dos policiais. “A escalada da violência só aconteceu depois daquela violência policial em São Paulo, ou seja, é uma situação estopim”, opinou José Vicente Mertz, membro do Bloco pela Frente Autônoma. "Mas claro que tem muito a ação de provocadores e de infiltrados, mas isso tem que ser analisado de forma mais ampla, não só classificar como 'vândalos'", reforçou.
Sem preferência partidária
O grupo voltou a negar qualquer associação ou liderança partidária nos protestos. O ato de contestação, segundo os integrantes dos movimentos sociais, é formado por iniciativas individuais, com a participação de diversos grupos. “É uma organização muito ampla. Tem militantes de partidos políticos, tem pessoas que não têm partido, tem organizações sindicais, estudantis. É composto de diversas frentes de diversas matizes ideológicas", destacou Matheus Gomes.
Opinião compartilhada por outros movimentos sociais. “Não sou ligado a nenhum partido político, grande parte do bloco não é”, disse José Vicente Mertz do Bloco pela Frente Autônoma. “Não temos organizadores nem coordenadores, é um grupo que se organiza de forma horizontal, em assembleias abertas”, ressaltou.