O sócio da empresa Global, Cláudio Pereira dos Santos, alega também estar preocupado com a situação. Ele informou que não tem conhecimento do que ocasionou o incidente, porque o laudo ainda não saiu. Segundo Santos, o que se sabe até o momento é que foi uma combustão sem chamas.
O sócio também garantiu que a Global está acompanhando todo o processo para conter a fumaça e está disponível para o que for necessário. A empresa Global atua há oito anos em São Francisco com o processo de transportes. A carga que entrou em combustão não pertencia à empresa, mas os responsáveis já foram notificados e também estão auxiliando na ocorrência.
Global já responde a uma ação civil pública
A empresa Global Logística e Transportes Ltda. responde a uma ação civil pública protocolada pelo Ministério Público em 2012. Uma primeira decisão, de forma em liminar, teria solicitado que a empresa se adequasse e tirasse parte de suas instalações da área residencial. Segundo a promotora Luciana Schaefer Filomeno, a irregularidade estaria no fato de a Global ocupar parte residencial do município para se instalar.
Há quase um ano, um grupo de moradores da região teria se unido para coletar assinaturas e entregar o documento ao MP. O objetivo era reduzir os barulhos e ruídos deixados pela empresa. A reclamação era de que a empresa estivesse instalada em ZRE-1 (zona residencial de expansão). A liminar, concedida em janeiro deste ano, determinou alterações na empresa.
Segundo a Prefeitura de São Francisco, a empresa está regular e instalada em zona portuária, o que permite a atividade. Um dos sócios da Global, Cláudio Pereira dos Santos, confirma que não há irregularidade com a instalação da empresa. “Estamos instalados em zona industrial e a ação era por causa de outros incômodos de moradores. Mas não tem decisão ainda”, justificou Santos.Para a promotora, parte da empresa está instalada em área residencial.
Moradores vão cobrar indenização
Uma reunião com moradores do bairro Paulas, em São Francisco do Sul, um dos mais afetados pela fumaça do incêndio químico, nesta sexta, vai decidir qual medida será tomada contra os responsáveis pela empresa. De acordo com o presidente da Associação de Moradores do Paulas, Geraldo Aquilino, muitos moradores já estão se mobilizando para saber como vão recuperar os prejuízos em função do acidente.
No bairro, são cerca de 3 mil moradores, entre comerciantes, empresários e pescadores, que foram obrigados a deixar de trabalhar e a sair de suas casas devido à fumaça. As lojas ficaram fechadas e a maioria das pessoas buscou abrigo junto aos parentes em outras regiões ou foram levadas para o abrigo público, montado pela Prefeitura. “Queremos reunir o maior número de moradores possível. Ainda vamos discutir, mas o caminho, em princípio, é esse: abrir uma ação indenizatória contra a empresa e outros responsáveis”, comentou Aquilino.