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MPF pedirá que Polícia Federal investigue o Sindimetrô por causa da paralisação

Para procurador da República, metroviários incorreram, entre outros crimes, no de paralisação do trabalho de interesse coletivo

Estações da Trensurb estão fechadas nesta segunda-feira
Estações da Trensurb estão fechadas nesta segunda-feira Foto : Vinicius Roratto
O Ministério Público Federal (MPF) em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, vai pedir abertura de inquérito na Polícia Federal para que sejam apurados possíveis crimes cometidos pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Transporte Metroviários e Conexas do RS (Sindimetrô/RS) durante a paralisação dos funcionários da Trensurb nesta segunda-feira. A decisão decorre do descumprimento da ordem do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), que determina que os trens operassem nos horários de pico.

Para o procurador da República Celso Tres, o Sindimetrô-RS “alegou, publicamente, que não fora formalmente intimado, sendo óbvio, entretanto, que a decisão judicial teve ampla divulgação, traduzindo-se em fato notório, de inequívoca ciência da entidade sindical, a qual desacatou o mandado”. O procurador reforça ainda que os sindicalistas incorreram, entre outros delitos, no de paralisação do trabalho de interesse coletivo e desobediência judicial sobre suspensão de direito.

Metroviários devem pagar multa devido à paralisação

A procuradora regional do trabalho Beatriz Junqueira Fialho lamentou que os metroviários tenham descumprido a decisão judicial que determinou o funcionamento dos trens das 5h30min às 8h30min e das 17h30min às 20h30min. Cada horário de pico descumprido resultará em multa de R$ 70 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Transporte Metroviários e Conexas do RS (Sindimetrô/RS), totalizando R$ 140 mil. "Embora os dirigentes do sindicato não tenham sido localizados pelos oficiais de Justiça para serem notificados quanto à punição, em nada impede a aplicação das multas", observou.

De acordo com a procuradora, na hipótese de os metroviários virem a deflagar greve por tempo indeterminado, o Sindimetrô/RS deve notificar a população e a direção da Trensurb com antecedência de 72 horas. "E mesmo durante a paralisação devem manter o funcionamento parcial dos trens", advertiu.

Na quinta-feira, durante assembleia, a categoria decidiu paralisar as atividades a fim de cobrar a concessão de aumento salarial de 21%, referente a perdas da inflação dos últimos nove anos, entre outras demandas. Devido à paralisação, a inauguração de duas novas estações do metrô de superfície, a Rio dos Sinos, em São Leopoldo, e a Santo Afonso, em Novo Hamburgo, foi cancelada.

O presidente do Sindimetrô/RS, Luis Henrique Chagas, não demonstrou intenção de repensar a paralisação. Ele afirmou que passou o final de semana em casa e não recebeu a notificação da Justiça sobre a necessidade de manter o efetivo nos horários de pico. Chagas demonstrou insatisfação com o salário inicial para quem trabalha na Trensurb, de R$ 1 mil, considerado pouco para uma profissão de risco.

Além do reajuste, a categoria exige o fim da terceirização de serviços, que causa dificuldade aos metroviários no exercício do trabalho e contribui para a má qualidade do serviço, segundo o presidente. Os funcionários ainda questionam a intenção da Trensurb, que deseja inaugurar outras duas estações com o mesmo número de trabalhadores. Eles querem ao menos 150 novas pessoas para que isso ocorra.

Paralisação lota ônibus e congestiona a BR 116

A paralisação dos metroviários causou inúmeros transtornos à população na manhã desta segunda-feira. Ônibus da Região Metropolitana registraram grandes filas nos pontos e seguiram lotados. Na BR 116, o congestionamento chegou a sete quilômetros e o trânsito era lento de Sapucaia do Sul até a freeway. Somente após as 9h, a situação começou a se normalizar tanto na rodovia quanto nas paradas próximas às estações.

No entanto, a Metroplan estima que o caos na BR 116 se estenda por mais tempo durante o final da tarde, no comparativo com o que ocorreu pela manhã. De acordo com o diretor de Transportes da Metroplan, Marcos Damiani, como não há horário determinado para os usuários voltarem para casa, a tendência é de que o público espere mais tempos nos pontos de ônibus para entrar em coletivos desafogados, o que deve estender o congestionamento até a noite. Cerca de 170 mil pessoas utilizam o metrô de superfície diariamente.

Com informações das repórteres Luciamen Winck e Karina Reif

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