Para o procurador da República Celso Tres, o Sindimetrô-RS “alegou, publicamente, que não fora formalmente intimado, sendo óbvio, entretanto, que a decisão judicial teve ampla divulgação, traduzindo-se em fato notório, de inequívoca ciência da entidade sindical, a qual desacatou o mandado”. O procurador reforça ainda que os sindicalistas incorreram, entre outros delitos, no de paralisação do trabalho de interesse coletivo e desobediência judicial sobre suspensão de direito.
Metroviários devem pagar multa devido à paralisação
A procuradora regional do trabalho Beatriz Junqueira Fialho lamentou que os metroviários tenham descumprido a decisão judicial que determinou o funcionamento dos trens das 5h30min às 8h30min e das 17h30min às 20h30min. Cada horário de pico descumprido resultará em multa de R$ 70 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Transporte Metroviários e Conexas do RS (Sindimetrô/RS), totalizando R$ 140 mil. "Embora os dirigentes do sindicato não tenham sido localizados pelos oficiais de Justiça para serem notificados quanto à punição, em nada impede a aplicação das multas", observou.
De acordo com a procuradora, na hipótese de os metroviários virem a deflagar greve por tempo indeterminado, o Sindimetrô/RS deve notificar a população e a direção da Trensurb com antecedência de 72 horas. "E mesmo durante a paralisação devem manter o funcionamento parcial dos trens", advertiu.
Na quinta-feira, durante assembleia, a categoria decidiu paralisar as atividades a fim de cobrar a concessão de aumento salarial de 21%, referente a perdas da inflação dos últimos nove anos, entre outras demandas. Devido à paralisação, a inauguração de duas novas estações do metrô de superfície, a Rio dos Sinos, em São Leopoldo, e a Santo Afonso, em Novo Hamburgo, foi cancelada.
O presidente do Sindimetrô/RS, Luis Henrique Chagas, não demonstrou intenção de repensar a paralisação. Ele afirmou que passou o final de semana em casa e não recebeu a notificação da Justiça sobre a necessidade de manter o efetivo nos horários de pico. Chagas demonstrou insatisfação com o salário inicial para quem trabalha na Trensurb, de R$ 1 mil, considerado pouco para uma profissão de risco.
Além do reajuste, a categoria exige o fim da terceirização de serviços, que causa dificuldade aos metroviários no exercício do trabalho e contribui para a má qualidade do serviço, segundo o presidente. Os funcionários ainda questionam a intenção da Trensurb, que deseja inaugurar outras duas estações com o mesmo número de trabalhadores. Eles querem ao menos 150 novas pessoas para que isso ocorra.
Paralisação lota ônibus e congestiona a BR 116
A paralisação dos metroviários causou inúmeros transtornos à população na manhã desta segunda-feira. Ônibus da Região Metropolitana registraram grandes filas nos pontos e seguiram lotados. Na BR 116, o congestionamento chegou a sete quilômetros e o trânsito era lento de Sapucaia do Sul até a freeway. Somente após as 9h, a situação começou a se normalizar tanto na rodovia quanto nas paradas próximas às estações.
No entanto, a Metroplan estima que o caos na BR 116 se estenda por mais tempo durante o final da tarde, no comparativo com o que ocorreu pela manhã. De acordo com o diretor de Transportes da Metroplan, Marcos Damiani, como não há horário determinado para os usuários voltarem para casa, a tendência é de que o público espere mais tempos nos pontos de ônibus para entrar em coletivos desafogados, o que deve estender o congestionamento até a noite. Cerca de 170 mil pessoas utilizam o metrô de superfície diariamente.
Com informações das repórteres Luciamen Winck e Karina Reif