Foi no município, em 2007, que o MST parou duas marchas, em decorrência de Termo de Ajustamento de Conduta junto ao Ministério Público Federal feito em conjunto com o governo federal. A União se comprometia em assentar as 1 mil famílias acampadas no Rio Grande do Sul em um ano, o que não ocorreu.
Conforme a assessoria de imprensa do MST, as famílias são as mesmas que ocuparam a Fazenda Palermo, em São Borja, na semana passada. O governo do Estado já sinalizou que deve desapropriar a área, mas o MST alerta que apenas 54 famílias das 400 poderiam ser assentadas no local.
Em fevereiro, o líder nacional do MST, João Pedro Stédile, avisou que as atividades do “Abril Vermelho” não serão abandonadas no governo da presidente Dilma Rousseff. Para ele, sem o carisma e a história do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma terá que criar uma relação melhor com as forças organizadas da sociedade.
As invasões são entendidas como legais dentro do “Abril Vermelho” pelo MST, após a sanção de decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que estabelece o dia 17 de abril - data do massacre de Eldorado de Carajás, no Pará, em 1996 - como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Em 15 anos, nenhum responsável pelo crime foi punido ou preso. Em uma palestra na Universidade Federal de Juiz de Fora, Stédile afirmou que nos dias anteriores a 17 de abril, o MST se organizará em todo País.