As constantes oscilações do tempo verificadas nos últimos dias transformaram as emergências hospitalares em unidades de internação improvisadas em Porto Alegre. Idosos com doenças crônicas e crianças com problemas respiratórios - comuns nesta época do ano - superlotam as unidades. E, por conta disso, a demora no atendimento é inevitável. Em algumas instituições, privadas ou conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), o tempo de espera pode exceder três horas.
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) elaborou relatório com detalhamento da falta de estrutura e sobrecarga de atendimento. As análises, acompanhadas de pedidos de qualificação da assistência primária e secundária, serão encaminhadas ao Ministério Público e à prefeitura de Porto Alegre.
O diretor do Simers, Jorge Eltz, destacou que o quadro seria outro se as pessoas pudessem ter acompanhamento adequado na rede básica e ambulatorial. “Os doentes não precisariam chegar tão debilitados, quando a única alternativa é um hospital mesmo. Bebês são levados para emergências, quando um pediatra, que hoje falta nos postos, poderia resolver a maior parte dos casos no consultório”, assinalou.
Eltz destacou que a escassez de especialistas no SUS pressiona emergências, além de gerar lista de espera para consultas. “As aposentadorias e a baixa remuneração explicam o apagão”, enfatizou. Ele ressaltou que as emergências destinadas ao atendimento de adultos permanecem com ocupação bem acima da capacidade todos os meses do ano. Já a pediatria dobra no inverno. “O lamentável é que um paciente que recorre a uma emergência do SUS, além de esperar para ser atendido, dificilmente conseguirá um leito para internação imediata”, disse.
O secretário adjunto da Saúde, Marcelo Bosio, ressaltou que, por conta da Operação Inverno, a Secretaria Municipal da Saúde abriu 40 novos leitos no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas. “Também estamos finalizando a contratação emergencial de 230 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, fisioterapeutas e técnicos em radiologia”, revelou.
Esses profissionais incrementarão o quadro de servidores do Presidente Vargas, dos pronto-atendimentos municipais e das unidades básicas de saúde. Outra alternativa para atenuar o quadro de gravidade do sistema, decorrente do aumento da demanda de pacientes, Bosio anunciou a oferta de atendimento em cinco postos de saúde, em apoio aos seis que já mantêm atendimento em três turnos, encerrando o expediente diariamente às 22h.
A demanda crescente fez que o município conveniasse a abertura de novos leitos conveniados ao SUS nos hospitais Vila Nova, Beneficência Portuguesa e Parque Belém. “Estamos abrindo mais leitos para evitar o fechamento das emergências”, justificou.
O secretário faz um apelo para que os pais levem os filhos às unidades básicas de saúde tão logo surjam sintomas de alguma enfermidade. “É desaconselhável esperar para buscar atendimento à noite ou nos finais de semana, a não ser em situações de extrema urgência”, disse. Do contrário, enfrentarão os gargalos decorrentes da sobrecarga.
Mudança do tempo lota emergências em Porto Alegre
Simers elaborou relatório com detalhamento da falta de estrutura e sobrecarga de atendimento