Cerca de 300 manifestantes ligados ao setor do carvão no Rio Grande do Sul bloquearam as duas pistas da BR 290, próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Porto Alegre, por cerca de duas horas, provocando grande congestionamento para quem queria entrar ou sair de Porto Alegre cruzando pelo vão móvel do Guaíba. O objetivo era chamar a atenção da presidente Dilma Rousseff, que está na Capital. A mobilização causou mais de 10 quilômetros de congestionamento nos dois sentidos da rodovia.
No sentido Interior-Capital, o trânsito ficou parado entre os quilômetros 107 e 97 por mais de uma hora. No lado contrário, entre os quilômetros 93 e 97. O fluxo ficou lento também na avenida Castelo Branco, sentido Porto Alegre-Interior. O bloqueio ocasionou congestionamentos nas avenidas Mauá, Sertório, Osvaldo Aranha e João Pessoa, além de Júlio de Castilhos e demais vias do Centro Porto Aegre.
Os trabalhadores do setor carbonífero querem que o mineral seja incluído no leilão A-5, que será promovido pelo Ministério de Minas e Energia no dia 20 de dezembro, prevendo a compra de energia para os próximos cinco anos. Lideranças do setor alertam para o risco de desemprego na região carbonífera do Estado. “O Rio Grande do Sul já teve 6 mil trabalhadores no setor e atualmente tem menos de mil. O Estado possui 90% das reservas”, ressaltou o presidente do Sindicato dos Mineiros do RS, Oniro Camilo.
O sindicalista disse que o carvão mineral está fora do leilão por decisão política. “Recentemente foram construídas usinas no Nordeste e no Rio de Janeiro usando produto importado”, enfatizou. Lembrou que a região poderá perder até 50 mil empregos diretos e indiretos com a decisão do governo. “Desde o início do ano estamos tentando uma audiência com a presidente Dilma para tratar do tema. Nossa luta é pela manutenção dos postos de trabalho”, acrescentou. Outro ponto reivindicado é a manutenção das Usina Termoelétrica de São Jerônimo - mais antiga em funcionamento no Brasil -, que gera 300 empregos diretos. “Seria o caos, principalmente em Minas do Leão, pois a Companhia Riograndense de Mineração também encerraria as atividades”, advertiu.
O prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador, apontou que o município sofrerá grande prejuízo se a decisão a respeito do leilão A-5 não for revertida. “Duas usinas novas estão licenciadas pelo Ibama prontas para serem instaladas. São R$ 6 bilhões de investimentos no projeto e a previsão é que sejam gerados no mínimo 10 mil empregos”, assinalou. Folador argumentou que o carvão utiliza hoje o que existe de mais moderno em termos de tecnologia. “O ar é monitorado constantemente nas termoelétricas. Há um cuidado especial com os efluentes. Usar a poluição como pretexto não funciona mais”, declarou o prefeito.