Elizabeth disse que todas as acusações de envolvimento dela e do marido com o tráfico são mentirosas e visam a desviar o foco de atenção das investigações sobre o desaparecimento do marido. “Isso é tudo mentira. Para eles falarem isso, tem que ter prova”, declarou, ao comentar o relatório apresentado pelo ex-delegado adjunto da 15ª Delegacia Policial (DP) da Gávea, na zona sul da cidade, Ruchester Marreiros. Nas suas investigações, o delegado indicava o envolvimento do pedreiro e de sua mulher com o tráfico na comunidade. O relatório foi desconsiderado pelo delegado titular da 15ª DP, Orlando Zaccone.
A mulher de Amarildo declarou ainda que, sem imagens, fica fácil falar qualquer coisa. “Estão querendo sair do foco e querendo me envolver”. Segundo Elizabeth, a casa onde mora nunca foi usada por traficantes. “Minha casa nunca foi alvo de nada”. Ela ressaltou que está com medo da polícia, “porque a gente não sabe o que está no coração deles. Já que estão inventando isso, então para poder fazer alguma coisa de ruindade comigo e com minha família, está custando pouca coisa”.
O filho de Elizabeth, Anderson Dias Gomes, de 21 anos, declarou estar angustiado com as insinuações feitas contra a mãe e o pai. “Nós já estamos sofrendo bastante para eles inventarem uma calúnia dessa, sem provas”. Ele relatou que a casa em que a família mora é pequena, “muito mal dá para a gente dormir”, e não tem sequer quintal que possa funcionar como rota de fuga, como teria sugerido a polícia.
UPP não trouxe paz à Rocinha
Anderson assegurou que não existe na Rocinha a paz que a UPP diz ter trazido a comunidade. “Não existe paz”. Disse que os traficantes vivem nos becos e nas vielas e destacou que de mil moradores da favela, “99% são trabalhadores, pagam seus impostos”. Ele prometeu lutar até o fim para solucionar o desaparecimento de Amarildo. “Eu, enquanto estiver vivo, nunca vou desistir do meu pai”. Anderson não quer que o caso se transforme em mais um número apenas, “como outros casos que ficaram impunes”.
Elizabeth ficou alguns dias fora da cidade, na casa da filha, mas retornou à Rocinha. Ela destacou que esta é a primeira vez em que os seis filhos passam o Dia dos Pais sem Amarildo. “Está sendo triste para mim, para meus filhos, a família toda”. Disse ainda esperar por justiça, agora que o marido está morto, “porque até agora a justiça não apareceu”.