Uma mulher de 53 anos morreu, na terça-feira, após ser submetida a uma cirurgia plástica, com três procedimentos, como abdominoplastia e lipoaspiração nas costas na Santa Casa de Rio Grande. Familiares de Maria de Fátima Machado, inconformados, relatam que a declaração de óbito emitida pelo posto do Departamento Médico Legal (DML) deixa claro que ela morreu em decorrência de erro médico durante a operação. No documento, está registrada a ocorrência de coagulação intra-vascular disseminada, infecção bacteriana e perfuração de cólon direito e foi iniciada investigação após registro de ocorrência na Polícia Civil, nesta quarta-feira.
Vanessa Machado, filha de Maria de Fátima, conta que a cirurgia de sua mãe começou às 7h50min de segunda-feira, com previsão de término para às 13h30min, mas ela só teve notícias às 14h30min, quando foi informada de que a paciente estava no pós-operatório. A mãe só foi para o quarto por volta das 20h, queixando-se de muita dor. Segundo Vanessa, ela chegou a ser medicada com morfina, mas a enfermagem insistiu que era normal no pós-cirurgico. No entanto, "uma enfermeira chegou a comentar que ela estava sangrando muito", salientou a filha. Conforme Vanessa, a médica foi chamada três vezes no hospital e só compareceu perto das 4h30min, quando a paciente teve uma parada cardíaca.
Enquanto isso, outra médica do plantão foi solicitada pela Enfermagem para verificação do quadro e medicação para dor. "Quando a doutora (a cirurgiã plástica) chegou, entrou no quarto, abriu a cirurgia no abdômen, verificou, fechou, saiu dizendo que estava tudo bem e pediu autorização para levá-la para o Hospital de Cardiologia, onde minha mãe teve outras duas paradas cardíacas e morreu, às 9h15min de terça-feira", relatou.
A morte da paciente foi registrada por familiares na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) no início da tarde de terça-feira. O caso foi passado à 1ª DP, que nesta quarta-feira instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias em que ocorreu o óbito. O enterro de Maria de Fátima Machado será realizado nesta quinta-feira, às 9h30min.
Contraponto
O assessor jurídico da Santa Casa, André Gandra informou que, no início da tarde desta quarta, houve uma reunião no hospital, entre a cirurgiã plástica, o diretor técnico e o pessoal administrativo da Santa Casa para verificar se houve algum erro ou falta imputável ao hospital. O que foi verificado, segundo ele, é que o procedimento transcorreu normalmente. "A cirurgia foi gravada e fotografada e a médica tem provas de que não houve nenhum problema".
Gandra explicou que, após a cirurgia, a paciente foi para a recuperação e depois para o quarto, onde começou a passar mal e foi atendida pela equipe de plantão. Por volta das 5h da manhã de terça-feira, teve uma parada cardiorrespiratória. Foi feita ressuscitação, "ela foi encaminhada à UTI" e morreu às 9h15min. "Mas ela foi devidamente assistida". Ele observa que a perfuração de cólon direito, que consta na declaração de óbito, não leva a morte em curto espaço de tempo, segundo a equipe médica que a atendeu.
"A Santa Casa abriu sindicância para averiguar o fato e vai aguardar o laudo do DML, que deve apontar a causa da morte para ver se efetivamente houve falha no atendimento", informou. Gandra ressaltou que a paciente não morreu de choque hipovolêmico e sim de parada cardiorrespiratória, o que não tem relação direta com o procedimento cirúrgico efetuado. "Toda a cirurgia plástica tem um risco de óbito, mas neste caso não se localizou intercorrência médica que levasse a morte", acrescentou.
Mulher morre após cirurgia plástica em Rio Grande
Família afirma que laudo do DML aponta erro médico nos procedimentos