Na atualidade, participando de todas as atividades produtivas, a mulher ainda enfrenta a dupla jornada, sendo acusada, não raro, de abandonar o lar. Quelen Cristina da Silva Rodrigues, aos 37 anos, tem três filhos e é avó. Sua vida profissional começou ainda na adolescência, aos 16, quando começou a trabalhar como babá. Não se queixa de discriminação, pois lembra que muitas vezes teve mais facilidades para conseguir um emprego do que alguns homens. Quelen observa que o fato de o Brasil ter uma mulher na Presidência da República é grande exemplo e estímulo. "É a prova que a mulher, quando quer, chega lá." Passista da escola de samba União da Vila do IAPI, divide sua vida em quatro períodos: trabalho, academia, casa e agremiação. O ano, ela separa em dois: "De fevereiro a setembro minha vida é normal, mas no restante vira de ponta-cabeça, pois a prioridade é o Carnaval".
A filha de Quelen, Tassiele, 19 anos, tem uma menina de 6 meses e não vê a vida como a mãe. Apaixonada pelo samba, queixa-se de não ter emprego "por culpa da maternidade". "É muito difícil conseguir um emprego quando se tem uma filha que ainda mama."
A recepcionista Luciana Gomes, 35 anos, já tem uma neta com 1 mês. "A disputa no mercado, fácil não é, mas também não lembro de ter sido discriminada." Diz que a beleza feminina ora ajuda, ora atrapalha. "O fundamental é ser inteligente", afirma, embora reconheça que muitas empresas valorizam a beleza. "Conheço mulheres que, por terem alguns quilos a mais, têm dificuldade em encontrar emprego."