Intitulado “Vivências de gestantes e mães”, o livro foi desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa em HIV/AIDS da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e faz parte do projeto de pesquisa da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. O estudo servirá como ferramenta para que os profissionais de saúde compreendam melhor o tema, qualificando, dessa forma, o atendimento prestado às pacientes.
Atendidas por uma equipe multiprofissional formada por pediatras, infectologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos administrativos e assistentes sociais, o Serviço Ambulatorial Especializado e a Unidade de Prevenção da Transmissão Vertical do HIV do Fêmina atenderam, em 2011, 1.161 mulheres e 1.353 crianças, sendo que 76 infectadas pelo vírus.
As pacientes são encaminhadas pelas Unidades Básicas de Saúde quando recebem o diagnóstico da doença durante o pré-natal. Entre as atendidas está uma mulher de 32 anos que há uma década é portadora do vírus. Com o tratamento realizado no hospital, ela usou medicamentos antirretrovirais durante as duas gestações e teve o acompanhamento dos dois filhos, que não contraíram o HIV. “Descobri que era portadora na primeira gravidez, mas tenho uma vida normal. Meu marido e meus filhos não são soropositivo”, disse.
Em 108 páginas, a obra detalha, através de depoimentos, as experiências dessas mulheres e como lidaram com o problema, superaram obstáculos e enfrentaram os desafios relacionados à doença. “Estou achando muito forte a medicação, me dá vontade de vomitar”, diz o relato de uma mulher de 22 anos, no quinto mês de gestação, sobre os remédios que precisa tomar.
Outra grávida, de 20 anos, se mostrou surpresa ao saber que o HIV pode ser transmitido através do leite materno. Por isso, é necessário inibir a lactação e substituir a alimentação por uma fórmula distribuída gratuitamente.
O infectologista Mário Peixoto conta que, de acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil abriga 207.080 mulheres e 385.818 homens portadores de HIV. “Baseado em dados de 2010, Porto Alegre faz parte de uma estatística assustadora. A incidência chega a 99,8 casos a cada 100 mil habitantes”, explicou durante o lançamento. O Rio Grande do Sul também lidera o ranking nacional: são 37,6 casos a cada 100 mil habitantes.