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Mulheres com HIV lançam livro em Porto Alegre

Obra traz histórias de vida de portadoras do vírus

Mulher de 32 anos teve dois filhos que não adquiriram Aids
Mulher de 32 anos teve dois filhos que não adquiriram Aids Foto : Mauro Schaefer
As histórias, anseios e vitórias de um grupo de 30 gestantes e 35 mães de crianças de até dois anos que vivem com o vírus HIV e são atendidas no Hospital Fêmina, em Porto Alegre, foram resumidas e transformadas em livro. O lançamento da obra ocorreu nesta quinta-feira e revelou que 99% das mulheres que receberam tratamento não transmitiram Aids para os filhos.

Intitulado “Vivências de gestantes e mães”, o livro foi desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa em HIV/AIDS da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e faz parte do projeto de pesquisa da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. O estudo servirá como ferramenta para que os profissionais de saúde compreendam melhor o tema, qualificando, dessa forma, o atendimento prestado às pacientes.

Atendidas por uma equipe multiprofissional formada por pediatras, infectologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos administrativos e assistentes sociais, o Serviço Ambulatorial Especializado e a Unidade de Prevenção da Transmissão Vertical do HIV do Fêmina atenderam, em 2011, 1.161 mulheres e 1.353 crianças, sendo que 76 infectadas pelo vírus.

As pacientes são encaminhadas pelas Unidades Básicas de Saúde quando recebem o diagnóstico da doença durante o pré-natal. Entre as atendidas está uma mulher de 32 anos que há uma década é portadora do vírus. Com o tratamento realizado no hospital, ela usou medicamentos antirretrovirais durante as duas gestações e teve o acompanhamento dos dois filhos, que não contraíram o HIV. “Descobri que era portadora na primeira gravidez, mas tenho uma vida normal. Meu marido e meus filhos não são soropositivo”, disse.

Em 108 páginas, a obra detalha, através de depoimentos, as experiências dessas mulheres e como lidaram com o problema, superaram obstáculos e enfrentaram os desafios relacionados à doença. “Estou achando muito forte a medicação, me dá vontade de vomitar”, diz o relato de uma mulher de 22 anos, no quinto mês de gestação, sobre os remédios que precisa tomar.

Outra grávida, de 20 anos, se mostrou surpresa ao saber que o HIV pode ser transmitido através do leite materno. Por isso, é necessário inibir a lactação e substituir a alimentação por uma fórmula distribuída gratuitamente.

O infectologista Mário Peixoto conta que, de acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil abriga 207.080 mulheres e 385.818 homens portadores de HIV. “Baseado em dados de 2010, Porto Alegre faz parte de uma estatística assustadora. A incidência chega a 99,8 casos a cada 100 mil habitantes”, explicou durante o lançamento. O Rio Grande do Sul também lidera o ranking nacional: são 37,6 casos a cada 100 mil habitantes.

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