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Multa por vazamento no litoral pode chegar a R$ 50 milhões

Mancha de óleo de monoboia atingiu praia de Tramandaí

Não foi registrada morte de peixes
Não foi registrada morte de peixes Foto : Pedro Revillion
Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aguardam laudo para avaliar os danos causados pelo vazamento de óleo na área sul de Tramandaí, no Litoral Norte. Conforme o órgão, a multa para este tipo de crime ambiental pode variar entre R$ 500 e R$ 50 milhões. Na manhã desta sexta-feira, o Ibama sobrevoou a área de 3,5 quilômetros entre a plataforma de Tramandaí e a barra do Rio Tramandaí, em Imbé, a fim de monitorar a realização do plano de emergência.

Ainda nesta sexta, uma reunião da cúpula do órgão vai analisar os danos e deverá definir o valor da multa a ser aplicada à Petrobras, empresa proprietária da monoboia que vazou nessa quinta-feira no mar. O valor será baseado nos danos causados à saúde humana e à biodiversidade. O Ibama salienta que a empresa tem executado corretamente o plano de contenção e limpeza da área. Não foi registrada mortandade de animais em razão do ocorrido.

O encontro tem a presença do diretor de Qualidade Ambiental, Fernando Marques, do vice-presidente e coordenador Geral de Emergências do Ibama, João Antônio Raposo Pereira e do Superintendente do órgão no Rio Grande do Sul, João Pessoa Moreira Júnior.

Técnicos da Transpetro e servidores do Ibama e da Prefeitura montaram uma grande estrutura para restringir o avanço e limpar o vazamento de óleo. Durante a madrugada, 150 pessoas trabalharam no local. Nesta manhã, o serviço foi retomado por pelo menos 270 homens que realizam a remoção de material acumulado na costa, com foco especial para o Rio Tramandaí, também atingido pelo desastre ambiental.

O prefeito Anderson Hoffmeister também sobrevoou hoje a região junto ao presidente da empresa, Sérgio Machado. Ele afirmou que não há mais resquícios de óleo no mar, em razão de a corrente ter levado o produto até a beira da praia. Nesta manhã, apenas pontos isolados da orla permanecem com óleo.

A presidente Dilma Rousseff contatou o presidente da empresa, a fim de buscar informações sobre o caso, bem como parabenizá-lo pelo eficiência no combate ao alastro do vazamento.

O titular da Delegacia de Pronto Atendimento de Tramandaí, delegado Peterson da Silva Benitez, contou que deve ser instaurado um inquérito policial para apurar as responsabilidades sobre o ocorrido. Ele salienta que, mesmo tendo colaborado com a resolução do problema, a Transpetro deverá ser punida. A pena para esses casos, conforme a Lei de Crimes Ambientes, é de 1 a 4 anos de reclusão.

População relata prejuízos diante do problema

Os proprietários de quiosques no calçadão de Tramandaí estão sendo prejudicados pela interdição da beira da praia em razão do vazamento de óleo. Alguns já estudam a possibilidade de entrar com um processo contra a Petrobras. Terezinha Fátima da Silva, que há 23 anos mantém um desses estabelecimentos junto com a família, disse que nunca viu algo assim.

O técnico de manutenção de bombas em combustíveis, Romildo Costa, 38 anos, levantou cedo nesta sexta-feira para pescar na Barra do Imbé. Costa disse que não ficou sabendo do vazamento e resolveu pescar no início desta manhã. “Fiquei sabendo do problema depois que já pescava, pela imprensa. A Petrobras nos exige diversos procedimentos quanto ao manuseio das bombas e agora comete um problema deste tamanho, é lamentável”, disse Costa que enfrentava uma chuva fina enquanto pescava.

Condições climáticas podem agravar desastre

A MetSul Meteorologia alerta que, nas próximas horas, a direção e intensidade do vento, assim como as correntes marítimas, podem agravar o desastre ambiental em Tramandaí. Segundo a empresa, as correntes do mar nesta sexta-feira devem ser de Sudeste a Leste, o que pode levar mais petróleo para a praia e movimentar parte da mancha no mar mais para o Norte.

Óleo de monoboia da Transpetro chegou à beira da praia

A mancha de óleo decorrente do vazamento de petróleo foi registrado na manhã dessa quinta-feira no mar de Tramandaí, atingindo à beira da praia. O Comando Ambiental orientou os salva-vidas a retirar os banhistas da água e da areia. Um avião da Petrobras despejou um produto químico que endurece o produto para facilitar a retenção. O incidente aconteceu durante uma operação de descarregamento em uma monoboia da Transpetro a cinco quilômetros da orla. Equipes da empresa, do Comando Ambiental e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) foram até o local para conter o produto e avaliar a quantidade de óleo vazado no mar.

Com informações dos repórteres Paulo Tavares, Thaís Salvagni e Sandro Sauer

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