A cidade conta com 13 unidades básicas de saúde e 12 de Saúde da Família, que, com falta de profissionais, acabam repassando os atendimentos para outros centros. No caso de emergência, a população busca o Hospital Dom João Becker, no Centro, onde enfrentam a demora para conseguir uma consulta, ou o Serviço de Urgência e Emergência (SUE), que deveria ter 22 médicos e conta com nove. Os casos que necessitam de um especialista acabam sobrecarregando o Centro de Especialidades.
A grade de horário não está completa, o que pode fazer com que o SUE seja interrompido a qualquer momento. "No último final de semana quase tivemos que fazer isso, porque durante 12 horas não teria médico para trabalhar", diz o secretário municipal da Saúde, Régis Fonseca. "Chegamos ao limite. Está caótico e não podemos fazer de conta que não há nada", afirma.
O serviço mais prejudicado é o de atendimento de urgência. A cidade tem seis ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Na prática, porém, apenas duas funcionam. "Isso que conseguimos, ainda, reformar duas e uma já apresentou problemas", explica. Além disso, outro caso que vem se arrastando há meses é o aparelho de raios X. Neste ano, já foram gastos R$ 70 mil em conserto, sendo que um novo custa R$ 100 mil. Outra preocupação é com a urgência para reformar os postos. Alguns têm infiltrações e vazamentos. Nessas unidades, seriam necessários no mínimo 15 médicos.
Nos postos, há até brigas por vagas
As unidades básicas de saúde (UBS) e as Equipes de Saúde da Família (ESF) são as que melhor caracterizam o drama dos moradores enfermos de Gravataí. Na UBS Parque dos Anjos há apenas um clínico geral prestando serviço, quando era necessário no mínimo dois, sendo um por turno. O posto também não conta com ginecologistas e pediatras. A dona de casa Zenir Weber revelou que foi mais difícil conseguir a consulta com um clínico na unidade Parque dos Anjos do que com um neurologista na Central de Especialidades.
Ela lembra que é necessário madrugar em frente à unidade para tentar conseguir uma consulta. "E, mesmo assim, corremos o risco de ficar sem atendimento", frisou. Outro drama é em relação aos exames. Há dois anos Zenir está aguardando para realizar um eletroencefalograma. Na UBS Centro, o desafio é conseguir uma consulta. Apesar de o local iniciar o atendimento externo às 7h, a fila se forma ainda durante a madrugada.
"Se não chegar cedo, não se consegue ficha nunca", relata Deni Pereira. Ela afirma que frequentemente muitas pessoas se desentendem e chega a haver tumulto na fila em função do número de fichas. "Às vezes, com 10 minutos de diferença, não conseguimos uma ficha."
É difícil consultar com especialistas
Centro de Especialidades ou a Casa Amarela, como é mais conhecida, concentra todas as consultas de especialidades de Gravataí. Os postos encaminham os pacientes para lá, onde fazem o agendamento, que também pode ser conseguido pela Central de Marcação de Consultas. O entra e sai é intenso durante todo o dia. Porém, com a difícil situação, muitas vezes as pessoas deixam a unidade decepcionadas por não terem nem uma previsão de uma futura consulta. Um exemplo é a cardiologia. Há semanas o médico especialista pediu demissão e ainda não foi contratado um substituto.
Outra área difícil de se conseguir um profissional é a de angiologia. "Venho todas as semanas tentar marcar uma consulta, mas sempre dizem que não há previsão", reclamou uma paciente. Mesmo assim há quem elogie o atendimento. Para Silvana Cardoso, é melhor aguardar um mês para consultar com um especialista do que ter que madrugar todos os dias nos postos e mesmo assim sem assegurar uma ficha.