A história viva ganhando uma ressignificação. Exatamente na data em que é comemorado o Dia Internacional dos Museus, ontem, o Museu Julio de Castilhos (MJC) recebeu a doação de 120 peças que pertenceram a Borges de Medeiros e sua bisneta Dejanira Luderitz Saldanha. A instituição, ligada à Secretaria da Cultura do RS (Sedac), foi contatada pela família, que entendia ser ali o melhor lugar para as peças ficarem.
Uma sorridente Dejanira, 67 anos, ao lado dos filhos Tiago e Mariana, percorreu as dependências do museu, emocionada com a doação. “É muito forte para nós, um resgate pois são peças que estavam guardadas em casa. Agora, estando aqui, tudo parece fazer sentido”, lembrou. Entre o material doado estão o cortador de charutos, o mata-borrão, matriz de carimbo de cera, abridores de cartas, pratos, travessas e taças personalizadas com as iniciais do político, castiçais, 36 chaves de portas, freio, estribo, dentre outras peças e mobílias da fazenda de Borges de Medeiros. A entrega oficial ocorreu seguido de um chá oferecido pela museóloga e diretora do MJC, Doris Couto.
Tiago, 23 anos, lembra que brincava com alguns dos objetos quando criança e aponta uma cuia, presente no acervo. “Estava sempre na minha mão. É interessante pensar que, a partir de agora, só poderá ser manuseado com luvas para manter a preservação”, conta o jovem. Após a entrega oficial, as peças serão catalogadas, higienizadas e submetidas à Comissão Especial de Gestão de Acervo, a quem compete analisar a incorporação das mesmas às coleções da instituição, convertendo a doação provisória em doação definitiva.
Para Doris, o conjunto de peças é muito expressivo, não só por pertencer a Borges e seus familiares, mas especialmente por testemunhar costumes de um período do qual o MJC tem pouco acervo. “Ele era o presidente do Estado, o que seria o governador hoje em dia, então tem uma importância. A família entende o peso da sua memória”. O político se casou com Carlinda Gonçalves Borges, sua prima. Não tiveram filhos biológicos, mas o casal adotou a menina Dejanira, mesmo nome da bisneta, que contribuiu com a perpetuação do seu nome no museu.