Os casos escolhidos foram de pacientes com câncer de pele e que aguardavam para fazer o procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O publicitário Danilo Andrade foi um dos beneficiados e conseguiu, no mutirão, realizar a retirada de duas manchas no peito. “É um alívio poder fazer o procedimento com rapidez”, afirmou ele, pouco antes da cirurgia. Andrade está em tratamento de câncer de pele.
Segundo o coordenador nacional dos mutirões do SBCP, Pedro Martins, essa é uma maneira de proporcionar bem-estar aos pacientes. “É uma cura da doença, mas também um estímulo de vida, de bem-estar consigo mesmo”, explicou o presidente. Ele afirmou que ao longo do ano são promovidos diversos mutirões, como em março, em que foram feitas 500 cirurgias de reconstrução mamárias no Brasil. Além disso, até o final de 2012 será promovida outra ação no Amapá para atender as vítimas do escalpelamento (que são cortes na face provocados acidentalmente em embarcações comum na região).
O mutirão ocorreu à véspera do 49º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, que reunirá mais de 2,5 mil especialistas de todo o mundo, até o dia 18, na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), na Capital. O evento irá discutir as novidades na área da cirurgia plástica, como procedimentos e técnicas. O patrono da cirurgia plástica no Brasil, Ivo Pitanguy participará da abertura na noite de quinta-feira, às 20h.
Para o presidente da diretoria regional do SBCP, Paulo Becker do Amaral, a cirurgia plástica tem atingido resultado cada vez mais importantes, com procedimentos que trazer mais segurança e conforto aos pacientes. “É fundamental a troca de experiências para que possamos avançar cada vez mais na área e viabilizar procedimentos cada vez mais complexos”, explicou ele, ressaltando que o Congresso reunirá especialistas de diversos países europeus, asiático e do Oriente Médio, além dos Estados Unidos.
O Rio Grande do Sul é o quarto estado brasileiro em volume de cirurgias plásticas. Apenas no ano passado foram realizados 35 mil procedimentos, sendo que 60% com finalidade estética e 40%, reparadora. O Estado tem 350 profissionais habilitados.
Grupo pede agilidade nas cirurgias de câncer de mama
Um grupo de voluntárias do Grupo da Mama do Hospital Conceição entregou, na manhã desta terça-feira, uma representação ao procurador-geral do Estado, Eduardo de Lima Veiga, pedindo agilidade nas cirurgias de câncer de mama na instituição. O pedido foi movido em função das remarcações dos procedimentos por causa da falta de anestesistas.
Segundo a presidente do grupo, Flávia Teresinha Nunes, pelas suas características uma paciente diagnosticada com câncer de mama deve fazer a cirurgia com a maior rapidez possível. “Essa é uma maneira de reduzir o avanço da doença, minimizar o sofrimento da paciente e os custos ao serviço de saúde”, explicou ela.
A vice-presidente do grupo, Edy Terezinha de Araújo, lembrou o sofrimento das mulheres que, mesmo com todos os exames e documentação necessários, só conseguem agendar o procedimento depois de quatro ou seis meses. “Não podemos aceitar que depois de todos os trabalhos de prevenção e pedidos para que as mulheres identifiquem a doença precocemente se poderão acabar morrendo na fila à espera da cirurgia”, lamentou ela.
Segundo o responsável pelo Serviço de Mastologia do Hospital Conceição, José Luiz Pedrini, o ideal seria que a paciente aguardasse no máximo 30 dias entre o diagnóstico e procedimento. Porém, com a ausência de anestesistas, esse prazo está chegando a 90 dias. Ele lembrou que a doença tem avançado no Brasil e que provoca cerca de 10 mil mortes por ano - 1.050 delas ocorrem no Rio Grande do Sul. Em conversas com a instituição, Pedrini ressaltou que o maior impasse é a questão salarial, uma vez que os profissionais acabam não ficando no hospital e ingressam na iniciativa privada. “Esse é um problema crítico e que está sendo agravado no Estado”, afirmou.
Após receber a representação o procurador-geral do Estado, Eduardo de Lima Veiga, afirmou que vai encaminhar a questão à promotoria dos Direitos Humanos de Porto Alegre, para analisar o caso. Ele acredita que em duas semanas será possível fazer uma reunião com os representantes de todos os segmentos para discutir uma solução e garantir o atendimento das pacientes.