“Tenho uma dívida de gratidão com o povo chileno, que me emprestou todas as possibilidades que podia para nos resguardar de qualquer tipo de violência”, afirmou Messias. Ele estava entre os 13 integrantes de uma comitiva, organizada pelo Comitê Carlos De Ré, composta por ex-exilados brasileiros. Eles pretendiam retornar, 40 anos após o golpe que derrubou o presidente Salvador Allende, para agradecer a acolhida durante os anos de exílio no país sul-americano.
Ex-prisioneiro nos estádios Chile e Nacional, os principais campos de concentração de Santiago durante o golpe de setembro de 1973, Messias foi informado, ao chegar em Santiago, que não poderia deixar o aeroporto em razão de pendências com o Ministério do Interior. Após ficar 12 horas detido no setor de Imigração, foi embarcado para São Paulo na manhã de domingo. Chegou em Porto Alegre, onde reside, na tarde daquele dia. “Suspendi todas as minhas atividades para ficar acompanhando ele”, disse Liete Pires, 57, companheira de Messias. “O abalo psicológico é grande. É uma pessoa de 72 anos que já fez terapia em função disso”, completou.
Pedido de desculpas
Embora o assunto esteja em discussão no campo diplomático, o governo do Estado chegou a tratar do tema em contato informal com a diplomacia chilena. Segundo o coordenador da Assessoria de Cooperação e Relações Internacionais, Tarson Nuñez, os chilenos desculparam-se pelo incidente. “Eles disseram que vão rever os cadastros deles, que foi tudo um engano”, afirmou.