Os moradores desalojados das comunidades das ilhas de Porto Alegre ainda não puderam retornar para casa, mesmo com a redução da água. Em muitos pontos, o acesso ainda é difícil. Esta quarta-feira foi de visita nas residências para avaliação das perdas e monitoramento do nível da água.
Na Ilha da Pintada, carros podiam circular por grande parte das vias, o que não era possível nos dias anteriores, mas as linhas de ônibus da região seguem sem atender a comunidade, o que impede a ida ao trabalho e outros compromissos em outros bairros da cidade. As 225 pessoas abrigadas no Ginásio Tesourinha, da Ilha Grande dos Marinheiros, permanecem no local, há ainda 80 desalojados na Ilha do Pavão, cem na Ilha das Flores e 140 na Ilha da Pintada em abrigos organizados pelas comunidades, segundo informações da Defesa Civil.
O proprietário de um mercado na Ilha da Pintada Nilton Cardoso passou parte da manhã limpando o piso do seu estabelecimento, mas vendeu produtos de limpeza e sacos de lixo. “Durante todos esses dias ficamos ilhados, sem água, sem luz e sem acesso a outros locais”, diz. Cardoso fez barreiras de madeira, tijolos e areia para impedir a entrada da água no prédio onde mora e trabalha. No terreno do lado, a filha, Taiane Cardoso, e o genro, Sarion Andrei Santos, perderam parte dos móveis e tiveram que sair de casa com a filha de quatro meses. “É a segunda vez em poucos meses. Assim que passar tudo vamos procurar outro lugar para morar fora da ilha, porque assim não conseguimos nem comprar coisas novas porque estraga”, reflete Taiane.
Nas proximidades do Estaleiro, Libia Lopes viu a água entrar pela primeira vez na casa da mãe Santa Lopes, de 84 anos. Os armários foram danificados, mas ainda não foi possível ver se os eletrodomésticos estragaram, pois ainda não há luz. “Os primeiros dias foram desesperadores. Era uma gritaria. Por ser no final da ilha, os mantimentos doados não chegavam aqui, ficavam pelo caminho, mas o pessoal se uniu”, conta Libia. Na cozinha de casa, moradores separavam um kit de produtos em sacolas para entregar para pessoas que não conseguem sair de casa. A comunidade estima que 90% da ilha tenha sido afetada pela enchente.
Nível do Guaíba baixa, mas moradores continuam desalojados nas ilhas
Transporte coletivo ainda não voltou a circular na região