Segundo os bombeiros, 26 pessoas foram resgatadas com vida e levadas a hospitais da região. O coronel do Corpo de Bombeiros Reginaldo Campos Retulho disse que os trabalhos deveriam continuar à noite em busca de quatro pessoas desaparecidas. "É uma corrida contra o tempo. Após as primeiras 24 horas diminuem as chances de as pessoas estarem vivas", afirmou.
Retulho estima que os trabalhos podem durar até três dias. Casas e pelo menos três carros que estavam nas ruas próximas foram atingidos pelo concreto que cedeu.
A obra estava irregular e já tinha sido multada em mais de R$ 100 mil, segundo a prefeitura. Antes de começar a construção de uma loja, o terreno abrigava um posto de gasolina. O ponto iria receber uma unidade da rede Torra Torra, que comercializa roupas populares e produtos da linha de cama, mesa e banho.
Secretário nega falta de acompanhamento
O secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, o ex-vereador Chico Macena, esteve no local e disse que houve fiscalização. "Para nós era uma obra embargada pela prefeitura. Portanto, irregular do ponto de vista da execução", analisou. O secretário rebateu as críticas de uma suposta falta de acompanhamento da administração municipal. "Mesmo que a obra fosse liberada, toda responsabilidade técnica de execução é do proprietário e do engenheiro civil responsável", disse.
Em nota, a prefeitura explicou que o responsável não apresentou pedido de Alvará de Execução. "De acordo com o Código de Obras, a obra só poderia ter sido iniciada, mesmo sem resposta da subprefeitura, caso tivessem decorridos os prazos dos dois pedidos, ou do pedido conjunto (alvará de aprovação e alvará de execução). Ainda assim, a obra ficaria sob inteira responsabilidade do proprietário e profissionais envolvidos e estaria sujeita a adequações ou até demolição", informou.
Ocupação somente após fim das obras
O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) de São Paulo informou que está apurando a existência de uma anotação de responsabilidade técnica, necessária à realização de serviços de engenharia e geologia pelos profissionais e empresas contratados.
O magazine Torra Torra confirmou que mantinha um contrato de locação com o proprietário do imóvel que desabou. No entanto, segundo a empresa, a ocupação somente se daria após o fim das obras estruturais, feitas pelo proprietário.
O magazine ressalta que a empresa contratada, a Salvatta Engenharia, foi ao local para realizar estudos de estrutura, "agindo no sentido de avaliar as condições de segurança e não procedendo nenhuma intervenção estrutural". O fim da obra e o laudo da Salvatta Engenharia, assegurando as boas condições da estrutura, eram os pré-requisitos para que o Torra Torra assumisse a finalização do prédio para abrigar a nova loja.