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Na Capital, ministro da Saúde diz que álcool é o maior vilão das drogas

Alexandre Padilha participa de debate na AL sobre Políticas Públicas de Combate ao Crack

Durante visita a Porto Alegre para participar do debate sobre as Políticas Públicas de Combate ao Crack na Assembleia Legislativao, na manhã desta sexta-feira, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o álcool continua sendo o grande vilão das drogas no Brasil e porta de entrada para o uso de outras substâncias entorpecentes. Ele citou, como exemplo, que, somente em Porto Alegre, uma pesquisa do Ministério detectou que 16% da população entrevistada relatou ter abusado de álcool em um período recente.

“Inclusive quando está associada ao ato de dirigir, gera impactos muito maiores à saúde pública, com aumento do número de acidentes de trânsito. Por isso, é importante uma ação de prevenção ao uso das drogas combinada à fiscalização ao ato de dirigir. Isso impacta a geração de renda, a condição de vida das pessoas e se relaciona a situações de violência. O sistema de saúde tem de se reorganizar, assim como as famílias e as escolas, a sociedade, para enfrentar esse novo problema de saúde pública”, explica.

O Ministério da Saúde reformulou a política de enfrentamento ao crack e está apresentado a proposta aos estados. Segundo Padilha, a ideia de um serviço de Saúde único não dá conta das diferenças de aproximação dos usuários da droga. O atendimento aos usuários de crack começará com consultórios de rua, como o que o Grupo Hospitalar Conceição já possui. Esse serviço, que detecta quem são os pacientes e qual o tipo de tratamento precisam, será ampliado. Depois, os adictos vão para atendimento nos hospitais. Até agora, foram contratados apenas 300 leitos para usuários da substância no país. A ideia é que, até o fim do ano, sejam contratados, junto aos hospitais, mais
2, 7 mil leitos. A intenção, segundo Alexandre Padilha, é fazer com que haja outros 5 mil leitos em casas de acolhimento, que serão criadas especificamente para o tratamento de viciados.

“Para cada leito novo aberto, nós queremos ter a opção de ter outros quatro leitos nessas Casas de Acolhimento, para que a pessoa possa ter contato com políticas de geração de renda, de convívio social, e práticas de esporte e atividades físicas”, reitera.

Mas há os usuários que optam por se distanciar de tudo o que lhes levou ao vício. Para aqueles que querem procurar comunidades terapêuticas, terão, a partir de agora, apoio técnico e contratação de profissionais do Ministério da Saúde. Depois que saírem das clínicas, as pessoas terão, ainda, atendimento diário em Centros de Apoio Psicossocial (Cpas), criados especialmente para tratamento de usuários de drogas e álcool, com atendimento ambulatorial. O maior desafio, de acordo com Padilha, será criar novos profissionais de saúde capacitados para o enfrentamento ao uso cada vez maior de entorpecentes, já que as faculdades de medicina e enfermagem não dispõem, por enquanto, disciplinas específicas para isso.

Dos R$ 90 milhões previstos para este ano no orçamento do Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack, já foram executados R$ 70 milhões. O montante de recursos para essa finalidade deve aumentar a partir das conversas com os governadores.

No final da manhã, no bairro São Sebastião, o ministro Alexandre Padilha acompanha a ordem de início das obras da primeira Unidade de Pronto Atendimento, UPA, de Porto Alegre, no bairro São Sebastião. Com a estrutura, junto outras três que devem ser construídas na Capital, a intenção é reduzir a superlotação dos hospitais.

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