Só que o espetáculo que se aproxima é para poucos. Para menos de uma dezena de pessoas que neste momento estão na praia e acompanham a mudança de cor no céu. E se a praia está vazia, a dupla de cães Simba (da raça labrador) e Branca (uma boxer) se esbalda saltando na água e correndo nas areias. Isso tudo “sem incomodar ninguém”, como diz o dono, Vilmar Martins. Aposentado, ele reside em Porto Alegre e passa as férias em Imbé. “Esse é o melhor momento para vir com eles, porque evita de causar algum problema. Ao mesmo tempo, posso caminhar com mais tranquilidade”, explica.
Às 6h20min a claridade aumenta, assim como a movimentação nas areias. Um pequeno grupo de adolescentes usa a guarita 123, que ainda está desocupada, para obter uma visão privilegiada da praia. Sentados, jogam conversa fora e fazem fotografias do céu ainda avermelhado. A conversa deles é interrompida rapidamente pela passagem de um caminhão da prefeitura. É neste horário que ocorre a primeira limpeza das areias. Acompanhando o veículo, uma dupla vem caminhando ao lado recolhendo os itens que foram abandonados no dia anterior – não são poucos, os plásticos, as sacolas e as latinhas deixados para trás. “Infelizmente todo o dia é a mesma coisa. As pessoas não cuidam muito bem da praia”, comenta uma das responsáveis pelo serviço, Nilceia Rocha da Silva, de 42 anos, que, apesar do resmungo, comemora ao menos ter a oportunidade de ver o dia começar.

Mas o show ainda não chegou ao seu ápice. São 6h32min e a agitação é maior. A claridade também, mas o sol ainda não apareceu. É neste momento que calmamente Renê Ramon chega com sua vara de pescar. Sem problemas, ele escolhe um lugar e, em seguida, a busca pelas iscas. “Ontem (segunda) o mar não estava bom, mas hoje (terça) o problema é achar uma isca boa”, desabafa. Para ele, que trabalha como taxista em Porto Alegre, o pescar permite relaxar.
E no instante quase sincronizado, o pescador amador entra na água com o caniço na mão para jogá-lo, que o sol decide romper o céu, como se estivesse saindo de dentro das águas do mar. O vermelho forte passa a sensação que de estar pegando fogo. O espetáculo começou. Às 6h42min o sol desponta no horizonte. E, de repente, por praticamente dois minutos, o silêncio volta a imperar na praia. Isso porque todos os presentes, neste momento já quase uma centena de pessoas, pelo que a visão permite, estão parados. Muitos com seus celulares em mãos para registrar a alvorada. São praticamente dois minutos, entre o aparecer do primeiro ponto até o sol estar perfeito, quase como se flutuasse sobre o mar. E só aí, sim, os veranistas seguem as suas atividades, correndo, caminhando ou pescando. Agora o dia efetivamente começou.
Dias perfeitos de sol e calor
Moradora de Porto Alegre, Cleusa Martins, de 55 anos, aproveitou que o sol havia acabado de nascer e a movimentação ainda estava pequena nas areias, para tirar fotos. Enquanto ela ajeitava o vestido e tocava os pés nas águas, o marido Carlos Martins, fazia os registros. “É para guardarmos esses momentos lindos”, resume ela. O casal veraneia há 10 anos na praia de Imbé e recorda nunca ter pego 10 dias seguidos de clima perfeito. “Nada de chuva. Só sol e calor”, brinca.
A poucos metros de distância Marilene dos Santos começa o preparo dos alimentos que pretende servir ao longo do dia no seu “kioske Laguneiro”. Ela comenta gostar de começar a trabalhar junto com o sol. “É uma energia diferente. É uma sensação magnífica ser a força do dia começar assim”, afirma ela, separando as frutas que serão a base dos sucos servidos.
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