A chegada ao estreito deu-se durante o auge da navegação portuguesa. No final do século XV, os portugueses descobriram e monopolizaram o Cabo da Boa Esperança, ao sul do continente africano. Fernão de Magalhães não conseguiu convencer o rei do seu país a armar uma frota rumo ao Oriente, passando pela América. Quem acabou "comprando a ideia" foi o rei espanhol, Carlos V. Desta forma, em 1518, teve início uma das maiores explorações já realizadas pelo homem. "Era uma expedição comercial. Partiram 250 homens e só chegaram 18", explica o empresário Sergio Nuñez Draguicevic, que trabalha como guia turístico e é descendente de croatas - uma das etnias que colonizaram Punta Arenas.
Embora fosse português e estivesse a serviço da coroa espanhola, Fernão de Magalhães é motivo de orgulho para os moradores da região chilena que, assim como o estreito, foi batizada com o seu nome. "Antes de tudo nos consideramos 'magalhânicos'. Foi um personagem histórico que descobriu uma rota alternativa", acrescenta Draguicevic.
O estreito de Magalhães, por sua vez, já não tira mais o sono dos navegadores, graças à evolução tecnológica da navegação. "Transitam por aqui embarcações com petróleo, metanol e aquelas que pelo tamanho não podem passar pelo Canal do Panamá", afirma o engenheiro comercial Alejandro Riquelme.
Fundada em 1848, Punta Arenas, à beira do estreito, ainda guarda resquícios da época de ouro das navegações. Um dos pontos turísticos que podem ser visitados é a carcaça da fragata inglesa Lord Lonsdale. A atividade portuária continua a movimentar a economia. Além disso, a cidade serve como ponto de partida para cruzeiros e expedições que têm como destino a Terra do Fogo e a Antártida. A arquitetura, um dos principais atrativos, remete aos tempos áureos da economia local, no início do século passado, movida principalmente pela venda de peles e carne.
O Correio do Povo participa de uma viagem à Patagônia Chilena a convite do Serviço Nacional de Turismo do Chile (Sernatur). A próxima parada, na manhã deste domingo, é a Baía Ainsworth, onde está localizado o glaciar Marinelli. O ambiente é frequentado por elefantes marinhos, que escolherem este lugar para a reprodução. À tarde, o desembarque ocorre nas Ilhotas Tucker, onde pode ser vista uma colônia de pinguins de Magalhães.
Acompanhe a expedição à Patagônoa no site do Correio do Povo