“Quando o pessoal se alertou não deu para salvar nada. Foi muito rápido, muita água”, relatou o pedreiro Vanderlei da Silva Faustino, 45 anos, no fim da manhã deste domingo, horas após a forte chuva que caiu sobre Porto Alegre mais cedo. Às 5h, quando o temporal ganhou força, todos na região do arroio Feijó ainda dormiam. “Ninguém faz nada por nós. Perdi tudo”, lamentou.
O arroio subiu e inundou as residências de ambos os lados, atingindo a vila Nova Gleba, no lado da Capital, e vila Americana, no lado de Alvorada. Lixo e troncos de árvores podiam ser vistos nas águas.
A aposentada Maria Dorildes, 76 anos, permanecia dentro da casa inundada: “Perdi televisão, geladeira, fogão roupeiro, cama”, listava. “Estou nadando que nem peixe dentro de casa”, comparou, criticando a falta de limpeza do arroio. Ela calculava que demoraria para baixar a água.
No bairro Mário Quintana, um valão também transbordou e deixou as casas embaixo d'água, com os moradores perdendo tudo dentro delas. No Jardim Ingá, o arroio Passo das Pedras igualmente transbordou com o excesso de chuva e apresentou até uma correnteza que parecia um rio.
No bairro Sarandi, onde choveu mais de 50 milímetros, também houve forte acúmulo de água nas ruas e moradias alagadas. A zona Norte foi a mais afetada pelas chuvas, com reflexos no trânsito ainda durante a tarde, quando a precipitação havia perdido força.
“Ninguém faz nada por nós. Perdi tudo”
Moradores da Vila Nova Gleba reclamam de descaso com situação do arroio Feijó