"Mais do que viver mais, o objetivo é viver melhor", aponta a diretora do Conselho Estadual do Idoso, Jussara Rauth. Ela destaca avanços significativos nos últimos anos e o que ainda falta ser melhorado. "Antes, os idosos eram vistos apenas pelo viés das melhorias na questão de saúde, com os avanços da Medicina. Hoje, existem outros fatores em maior evidência, como as questões social e educacional", afirma. Nesta lógica, é possível acompanhar um número expressivo de ações direcionadas ao idoso, com ênfase à integração social e conhecimento. Segundo ela, os idosos estão envelhecendo mais e as suas necessidades também serão maiores. E, se neste cenário, não existirem políticas suficientes, eles ficarão totalmente desassistidos.
O alerta é reforçado pelo diretor do Instituto de Geriatria da PUCRS, Newton Luiz Terra. Ele avalia que os avanços da Medicina ampliaram a expectativa de vida, mas a sociedade, de maneira geral, esqueceu de pensar como se adaptar a esta mudança social. "As previsões indicam que em 2025 o país abrigará mais de 32 milhões de idosos. Assim, é preciso estruturar os serviços de saúde, de transporte e mobilidade, entre outros", diz.
A expectativa de vida também tem crescido rapidamente. O Censo Demográfico 2010 do IBGE apurou que o Rio Grande do Sul tem a terceira melhor expectativa de vida entre os Estados brasileiros, com média de 75 anos de idade. Considerando apenas o sexo feminino, a longevidade atinge 80 anos. Terra ressalta ainda que a questão financeira tem forte impacto na qualidade de vida, já que há carências graves nos serviços públicos. Lembra que 85% dos idosos no país sobrevivem com dois salários mínimos, sem contar que muitos são os responsáveis pelo sustento da família. "Infelizmente, a questão da saúde está relacionada diretamente com as condições financeiras, o que inviabiliza tratamentos médicos de ponta", afirma.
Para tentar reverter esta situação, os governos federal, estadual e municipais têm ampliado o número de ações para dar suporte à "nova geração". Além disso, os idosos estão mais ativos e exigem o cumprimento dos seus direitos, explica a diretora do Conselho Estadual do Idoso.