A fraude começou ser investigada em fevereiro de 2013, quando a direção da empresa desconfiou que as catracas dos ônibus estavam sendo adulteradas. Com isso, além de uma sindicância administrativa, a polícia abriu inquérito para apurar o caso. O delegado Cláudio Edgar Trindade Belcamino revelou que a investigação foi concentrada no período de 2010 a 2012, onde 50 pessoas, entre funcionários, ex-funcionárias e ex-diretores foram ouvidas.
O delegado destacou que uma vistoria contratada pela própria Codepas contribuiu para desvendar a fraude. A auditoria apontou que pelo menos 80% dos 30 ônibus da empresa circulavam em algum período do dia com as catracas adulteradas. Belcamino revelou que a fraude consistia na remoção de um pino e do lacre, fazendo com que a catraca girasse sem marcar a passagem do usuário. Segundo o delegado, em média, mil passagens – vale transporte e passagem estudantil – eram desviadas por dia. Com preços da época, o prejuízo diário da empresa era na ordem de R$ 2,5 mil.
O delegado Cláudio Edgar Trindade Belcamino disse que foi apurado o indício de participação da fraude de 15 a 20 funcionários, mas ficou provado o envolvimento de nove colaboradores. Os acusados são motoristas, cobradores e um agente de tráfego – responsável pela escala. Dois motoristas, dois cobradores e um agente de tráfego são apontados como os mentores da fraude. Segundo o delegado, todos já pediram demissão indireta da empresa para evitar uma futura justa causa.
Cinco ex-diretores – cargos e confiança – foram apontados por improbidade administrativa. O apontamento será encaminhado ao Ministério Público, que tem a competência de ajuizar ou não ação cível pública, contra os ex-diretores. O inquérito com 2,5 mil página com o indiciamento dos nove ex-funcionários será remetido ainda hoje ao Poder Judiciário. Eles foram indiciados por peculato e associação criminoso – formação de quadrilha. As penas dos dois crimes somados podem variar de 3 a 15 anos de reclusão.