Com um caso suspeito de dengue em Porto Alegre, a Coordenadoria-Geral de Vigilância em Saúde da Capital realizou, nesta segunda-feira, um bloqueio no bairro Santo Antônio. Esta foi a 16ª operação feita contra o mosquito Aedes aegypti neste ano no município. A ação foi necessária porque um paciente começou a desenvolver os sintomas em 22 de março. Ainda não existe a informação sobre se a doença foi contraída em Porto Alegre ou em outra cidade.
Segundo o coordenador da ação, o médico veterinário Luiz Felippe Kunz, o bloqueio ocorreu mesmo sem a confirmação oficial devido ao risco da transmissão. “Aguardamos praticamente um mês para receber o resultado final do exame pelo laboratório da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Como isso ainda não ocorreu, preferimos prevenir realizando o bloqueio”, afirmou ele.
Antes do início da ação é realizado um levantamento para identificar a presença do mosquito nas residências do bairro. O índice na área foi de 17%, um dos maiores até agora identificado em Porto Alegre. “Esse levantamento aumentou a preocupação com essa região. Assim, praticamente uma em cada cinco casas tem a presença do mosquito”, explicou o veterinário. Ele prevê que esse ainda não deverá ser o último bloqueio contra a dengue. Ainda existem 16 casos sendo investigados pela SES em moradores da Capital.
A aplicação do inseticida começou por volta das 9h30min. O veneno foi colocado em uma área de 300 metros do local onde está o paciente. O inseticida de Ultra Baixo Volume (UBV) mata apenas os mosquitos que estão na fase adulta. A ação abrangeu os trechos das ruas Delfino Riet, Martim Afonso, Joaquim Cruz e Tomaz Edison.
Kunz explicou que o período de risco da transmissão da doença vai até o início de maio, quando começa a diminuir as temperaturas. Ele destacou que o frio provoca a diminuição na velocidade de reprodução das larvas. Consequentemente, o número de mosquitos será reduzido nos próximos meses. Para comprometer efetivamente o desenvolvimento do Aedes aegypti, a temperatura tem que estar em torno dos 10ºC. Mesmo assim, ele destacou que é fundamental que a população mantenha os cuidados para evitar a presença das larvas. “Não adianta haver os bloqueios com a aplicação de veneno se as pessoas não cuidarem da área que fica dentro das suas residências”, afirmou ele. É preciso evitar o acúmulo de água, como ocorre nos vasos de plantas ou calhas de telhados. Assim como ocorreu em outros bloqueios, a principal dificuldade dos agentes foi o acesso a alguns imóveis. O veneno líquido é esfumaçado do lado de fora das residências. Mesmo assim, em alguns condomínios era necessário ingressar no terreno para a aplicação.
O veneno também foi colocado nas garagens, em áreas de lazer e nas calçadas. Com a movimentação dos técnicos, alguns moradores saíram de casa e acompanharam a ação de bloqueio direto das ruas. Aqueles que moram na região e apresentam os sintomas da doença, como forte dor de cabeça ou no corpo e febre alta, devem procurar assistência médica o mais rapidamente possível.
Novo bloqueio contra a dengue é realizado na Capital
Ação foi feita no bairro Santo Antônio