O edital para um novo concurso da Brigada Militar (BM) buscando contratar mais de 3,7 mil policiais (PMs) deve ser publicado até segunda-feira. Com o reforço, anunciado ontem pelo Palácio Piratini, e os 3,5 mil homens já nomeados neste ano, o déficit estimado de 14 mil PMs no Rio Grande do Sul deve ser reduzido pela metade até 2011. A meta do início do atual governo, no entanto, era alcançar, ainda em 2010, um efetivo de 24 mil soldados, número ideal apontado pela Organização da Nações Unidas (ONU) com base num coeficiente prevendo um policial militar para cada 400 habitantes. Com os 3,5 mil que entraram para o efetivo em abril, esse número é, hoje, de 17 mil.
Apesar de a meta da ONU não ter sido completamente alcançada, entidades de policais receberam o anúncio de forma positiva, mas com ressalvas. O presidente da Associação Beneficente Antônio Mendes FIlho (Abamf) - que representa e cabos soldados da BM - entende que duas preocupações aflingem os profisisionais enquanto o concurso não sai do papel: a capacidade para o Estado poder reajustar os salários após os reforços, e o curto espaço de treinamento a que soldados alunos serão submetidos.
"Temos informações que estes novos soldados terão quatro meses e meio de preparo, o que é insuficiente. Eu, por exemplo, recebi nove meses de treinamento quando ingressei na corporação", disse Leonel Lucas.
Conforme o dirigente, o tempo previsto para o preparo é semelhante ao de vigias particulares, atualmente submetidos a três meses e meio de treino. Já o chefe da comunicação social da Brigada, Tenente-Coronel Toni Robilar Pacheco, avaliou, em nome do comando da corporação, que hoje "os tempos são outros" e que o treinamento de cerca de cinco meses poder oferecer um preparo adequado. "Embora hoje tenhamos mais tecnologia, o que exige maior conhecimento técnico, creio que o tempo é suficiente para prepará-los", avaliou.
Novo concurso pode reduzir pela metade déficit de PMs
Entidades comemoram anúncio mas criticam treinamentos previstos para futuros soldados