Os manifestantes prometem uma ação maior do que a realizada na última segunda-feira e que reuniu milhares de pessoas. Por meio da rede social Facebook, o evento "Pela redução da tarifa! Quinta-feira será maior", que convoca para a mobilização, tem mais de 10 mil confirmações. O percurso da passeata ainda não está definido. Após o ato, os manifestantes devem realizar uma reunião para avaliar a ação e definir data e horário para o próximo protesto.
Cinco mil participaram do último ato
Na última segunda-feira, segundo cálculos da Brigada Militar (BM), cerca de cinco mil pessoas participaram da mobilização. Depois de protestar por cerca de 40 minutos em frente ao Paço Municipal, o grupo caminhou em direção à avenida Júlio de Castilhos, seguiu pelo Túnel da Conceiçãoe e se dirigiu até o bairro Cidade Baixa, rumo ao Largo Zumbi dos Palmares.
A passeata trancou ruas e avenidas e acabou gerando congestionamentos. Homens do Pelotão de Operações Especiais e da Cavalaria da BM fizeram a segurança e agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) orientaram o trânsito para os motoristas.
No dia seguinte, o prefeito José Fortunati fez críticas aos manifestantes por atos de depredação do patrimônio público. “O positivo foi que eles não depredaram a prefeitura, não agrediram ninguém. Mas depredaram contêineres de lixo, picharam a cidade, prédios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), picharam todo o Túnel da Conceição. Nós gastamos R$ 30 milhões para requalificar o túnel e ele ficou totalmente pichado", lamentou o prefeito.
Licitação para o transporte coletivo e revisão da planilha tarifária
Antes da manifestação de segunda-feira, Fortunati recebeu representantes da União Estadual dos Estudantes (UEE) para um debate. Na ocasião, se comprometeu em, até o final deste ano, realizar uma licitação para o transporte coletivo da Capital.
Além disso, garantiu a inclusão dos estudantes no Grupo de Trabalho que irá revisar a Planilha de Custo da Tarifa. “Nós estamos trabalhando para a redução da tarifa com a revisão da planilha e nós vamos fazer a licitação do transporte coletivo. Não é com pressão, com baderna, com violência”.
Um seminário público que abordará o assunto será articulado pelos representantes da UEE. O formato e a data, no entanto, ainda não foram definidos.
Série de protestos
No dia 25 de março foi sancionado o aumento da passagem de ônibus na Capital de R$ 2,85 para R$ 3,05. Desde que o pedido de reajuste na tarifa foi protocolado, uma série de protestos ocorreu na Capital. As manifestações pressionam o Executivo municipal a reduzir a tarifa para R$ 2,60.
O aumento, que normalmente ocorre em fevereiro, só aconteceu depois que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou a necessidade de usar a frota total dos ônibus para elaborar o cálculo da passagem.
Dois dias após o aumento entrar em vigor, uma mobilização em frente ao Paço Municipal foi marcada por atos de vandalismo. Com o uso de pedaços de madeira, tintas, entre outros objetos, um grupo tentou invadir o prédio da prefeitura. O secretário de Governança Local, Cézar Busatto, acabou atingido por tinta vermelha e funcionários da prefeitura ficaram feridos. O prefeito José Fortunati classificou os manifestantes como "baderneiros".