Mesmo antes da confirmação oficial de que um tornado foi o responsável pela destruição em Três de Maio, alguns meteorologistas acreditam que o Rio Grande do Sul já presenciou o fenômeno no mínimo em dez ocasiões este ano. O número já supera os eventos do mesmo tipo registrados durante 2008. “Faltam estudos sobre a ocorrência média de tornados. Pois a confirmação se dá pela análise de relatos visuais e do rastro de destruição dos locais afetados. E isto nós tivemos em mais de dez lugares diferentes, com certeza”, confirma o diretor de comunicação da Metsul, Alexandre Aguiar.
Para os especialistas, o segundo semestre se mostra bastante favorável ao surgimento de tornados, vendavais e tempestades. O tempo quente e úmido também é um convite ao fenômeno, somado à região que engloba o oeste do Rio Grande do Sul, o norte da Argentina, o Uruguai e o Paraguai, que é a segunda no mundo em número de tornados, atrás apenas da região das planícies do meio-oeste dos Estados Unidos. “Essas mudanças sempre ocorrem na primavera, perto do verão. Tempestades são comuns, mas há anomalias nesse ano, realmente o número de ocorrências parece maior”, acrescenta o meteorologista Luiz Kondraski, que há 15 anos trabalha com previsão do tempo no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).
A explicação para o aumento pode passar longe do aquecimento global. Este ano, nos Estados Unidos, a incidência diminuiu. A urbanização e a facilidade de registrar o fenômeno com câmeras e celulares tornaram os relatos mais frequentes. No YouYube, diversos vídeos foram disponibilizados por internautas com supostos registros do fenômeno no Rio Grande do Sul, como o vídeo postado abaixo, que seria de uma tromba d´água na Lagoa dos Patos, em São José do Norte, que teria ocorrido em março deste ano.
Aguiar garante que tornados passam deixando rastros de destruição há décadas no interior do Rio Grande do Sul. Outros tantos podem ter ocorrido em áreas não habitadas e ficaram incógnitos. “No meio oeste dos Estados Unidos, os ventos adquirem um giro típico da região. Mas podem aparecer essas nuvens funil no Sul do Brasil”, analisa Kondraski.
O mais recente tornado seria o desta quarta-feira, em Três de Maio, perto de Iraí, mas é provável que apenas na próxima semana seja possível determinar que tipo de fenômeno. O rastro de destruição, a forma com que as árvores são arrancadas e o depoimento das pessoas serão analisados. “Não dá para dizer quando vai acontecer de novo”, reconhece Kondraski.
Com relação às tempestades e vendavais, a previsão é de redução a partir de dezembro. Os equipamentos de meteorologia apontam dados precisos para até sete dias, em média. Depois, a previsão perde exatidão.
Mesmo assim, segue o alerta para os próximos dias no Rio Grande do Sul. A quantidade de chuva e de ventos deve diminuir, mas não dá para descartar temporais isolados.
O ano dos tornados no Rio Grande do Sul
Fenîomeno foi constatado em no mínimo dez ocasiões em 2009. A última teria ocorrido em Três de Maio