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O início da Nova Capital

Genialidade de Lucio Costa e Oscar Niemayer transformam a Nova Capital em obra de arte

Plano Piloto de Brasília idealizado por Lucio Costa
Plano Piloto de Brasília idealizado por Lucio Costa Foto : Reprodução /CP
Construir uma cidade no Interior do país já era um ideia concebida em meados de 1700, pelo Marquês do Pombal, mas só foi realmente levada a sério com a eleição de Juscelino Kubitschek, em 1956. O então presidente defendia uma nova capital no Coração do Brasil para povoar a região e dar acesso a locais mais distantes, uma vez que a maioria da população brasileira concentrava-se no litoral do país.

Veja reproduções do Correio do Povo sobre a inauguração de Brasília clicando na foto


Mote da campanha de JK “50 anos em 5”, a idealização da cidade foi definida por um concurso internacional vencido pelo arquiteto e urbanista conhecido Lucio Costa. Enquanto outros 25 concorrentes apresentaram plantas e cálculos complexos, Costa mostrou seu Plano Piloto de Brasília em desenhos simples – praticamente feitos em cima da hora.

O anteprojeto, apesar de contrariar as normas do concurso, foi suficiente para encantar o júri de especialistas estrangeiros. Era o ano de 1957 e, de acordo com eles, tratava-se de o único capaz de ser realizado em quatro anos, prazo do término do Governo de JK.

Para Costa, o Plano Piloto de Brasília "nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz". No entanto, ele rejeita qualquer tipo de comparação a um avião. A cidade é, na verdade, uma borboleta, afirmava.

Ao seu lado, um ex-aluno brilhante chamava a atenção: era Oscar Niemeyer, responsável pela projeção dos principais prédios públicos da cidade. Do outro, um paisagista chamado Burle Marx, que deu beleza e frescor ao Cerrado brasiliense. Com um trio assim, foi até fácil para o mineiro convencer que se tratava de uma realidade e não excentricidade.

Espero que Brasília seja uma cidade de homens felizes: homens que sintam a vida em toda sua plenitude, em toda sua fragilidade; homens que compreendam o valor das coisas simples e puras um gesto, uma palavra de afeto e solidariedade. - Oscar Niemeyer

O que se viu a partir de fevereiro de 1957 foi uma verdadeira missão. Cerca de 200 máquinas e 60 mil operários abriram espaço no Cerrado para construir o sonho de JK. Um acampamento de homens, mulheres e até crianças, a maioria da Região Nordeste, que exerceram um regime de trabalho ininterrupto, dia e noite, para construir e concluir Brasília até a data prefixada de 21 de abril de 1960, em homenagem à Inconfidência Mineira.

As obras terminaram em tempo recorde de 41 meses - antes do prazo previsto, mas a cidade não estava devidamente completa. Ainda assim, já era considerada como uma das obras mais importantes da arquitetura e do urbanismo contemporâneos.

Um sonho que se transformou projeto de vida para milhares de brasileiros que hoje moram e fazem da cidade um verdadeiro monumento vivo.