O feriadão de Corpus Christi foi o período escolhido pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) para refazer a obra de macrodrenagem na região do Arroio Areia, na avenida Nilo Peçanha, bairro Bela Vista, na zona Norte de Porto Alegre. Os trabalhos iniciaram na manhã desta quinta-feira e a expectativa de que encerrem no próximo domingo, caso o clima colabore. Para sua realização, o Dmae bloqueou a pista da Nilo no sentido Centro, entre a avenida Teixeira Mendes e a rua Osório Tuiuty de Oliveira Freitas, e meia pista no sentido contrário.
A mais recente intervenção está sendo realizada em razão de uma falha da execução do projeto original, descoberta no final de março. Conforme o diretor-geral do Dmae, Alexandre Garcia, o caimento dos canos enterrados na região deveria ter em torno de 40 centímetros entre os pontos mais alto e mais baixo da rede, mas estava por volta de um metro, o que causava velocidade excessiva da água dentro do encanamento.
“Quando calculamos o projeto, esperávamos três metros cúbicos por segundo de água passando dentro da tubulação. Na análise final, constatamos sete metros”, diz. Isto ocasiona, segundo Alexandre, a deterioração mais rápida dos canos de concreto, e consequentemente possíveis vazamentos na própria Nilo Peçanha, contrariando totalmente a ideia do projeto, que é terminar com alagamentos históricos na área. “Não haverá custo para o erário. Este é um custo da empresa pela má execução no primeiro momento”, afirma.
Comerciantes do entorno da obra, porém, estão preocupados com o impacto da mesma. A situação é ainda mais preocupante, considerando que está sendo feito o conserto de um trabalho previamente pronto. A gerente de um salão de beleza localizado junto à obra, Juliana Barbosa, diz que o faturamento do local caiu 40% desde o começo das obras na área, e que muitas clientes inclusive desistiram de frequentar o espaço por não terem como acessá-lo. “É um prejuízo muito grande. Temos muitas vezes que remarcar os atendimentos”, reclama.
O negócio gerenciado por Juliana tem por volta de 40 mil clientes registrados de toda Porto Alegre, atendendo cerca de 400 pessoas de segunda a quinta-feira, e o dobro disto nas sextas e sábados. Segundo ela, outros comércios da região também sentem os efeitos das obras no bolso. “Conversamos com outros lojistas do entorno, e estamos todos muito prejudicados”, afirma ela, citando uma loja de noivas, também pertencente à mesma administradora. A loja precisa recorrer às redes sociais para atualizar a situação às frequentadoras.
O diretor-geral do Dmae, por sua vez, se justifica, dizendo que compreende a preocupação dos negócios. Conforme o órgão, as obras, que poderiam ser realizadas em qualquer momento, foram postergadas para depois de duas datas comerciais importantes, o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, e marcadas em meio ao feriadão para não causar impactos no geralmente intenso trânsito da região. “Efetivamente tomamos este cuidado. A obra é absolutamente imprescindível. Então, precisamos fazê-la de forma que cause menos transtorno”, diz Alexandre.
Conforme a Prefeitura, são, ao todo, 26 obras de macrodrenagem do Arroio Areia, buscando amenizar a situação de alagamentos em 14 bairros de Porto Alegre. Ao todo, estão sendo investidos R$ 108 milhões de recursos do Ministério do Desenvolvimento Regional, e R$ 1,3 milhão de contrapartida da Administração. Obras do tipo também são executadas na Teixeira Mendes e na rua José Antônio Aranha.