A tão esperada duplicação do trecho gaúcho da BR-101 não estará finalizada no prazo estipulado pelo governo. Dos 88 quilômetros previstos entre Osório e a divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, apenas 30 quilômetros estão efetivamente concluídos e com tráfego nos dois sentidos. Nos demais trechos, as obras seguem em ritmo acelerado, mas o esforço dos operários não será suficiente para garantir a conclusão ainda no primeiro semestre de 2010, conforme prometeu em abril o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), Hideraldo Caron.
O atraso é atribuído aos impasses envolvendo desapropriações e negociações de aditivos contratuais, que paralisaram os trabalhos por seis meses e praticamente dobraram o custo final da obra. Neste ano, no entanto, apesar da inexistência de embates jurídicos e revisões financeiras, foi a chuva quem atrapalhou. Mesmo com os contratempos, o Dnit conseguiu liberar o tráfego do trecho de 22 quilômetros, entre Osório e Maquiné, além de outros três quilômetros, entre o trevo de acesso a Torres e a ponte sobre o rio Mampituba. Há ainda outros três quilômetros totalmente duplicados em Terra de Areia e dois quilômetros no acesso aos túneis, no sentido Maquiné-Torres. Nos demais trechos, o trânsito é alternado entre as pistas nova e velha, para possibilitar a conclusão de intervenções estruturais e da pavimentação, além da implantação das sinalizações verticais e horizontais.
"Esperamos liberar o tráfego de outros 13 quilômetros duplicados, entre Maquiné e Terra de Areia, ainda em fevereiro", ressalta o chefe da Unidade do Dnit/Osório, engenheiro Delmar Pellegrini. O pior trecho e também o mais arriscado da BR-101 está localizado entre Terra de Areia e Três Cachoeiras. A pavimentação apresenta problemas, incluindo buracos e desníveis, além de degraus laterais que inviabilizam o acesso ao já quase inexistente acostamento. "Este é o único ponto onde a duplicação não avançou e a situação da pista é preocupante", diz.
Por se encontrar em situação crítica, esse ponto da rodovia é alvo de vigilância constante da Polícia Rodoviária Federal. No trecho, é arriscado fazer ultrapassagens, já que os caminhões normalmente trafegam em comboios. Também é impossível manter velocidade devido aos inúmeros solavancos.
Nos demais pontos a BR-101 não chega a oferecer riscos, tendo em vista que na maioria dos trechos ainda não duplicados o tráfego está ocorrendo na nova pista, bem mais larga e amplamente sinalizada. Por ser a BR-101 uma rodovia em obras, os transtornos são inevitáveis, podendo haver bloqueios parciais e congestionamentos. O trecho Osório-Torres do túnel é a primeira obra de duplicação de rodovia com gerenciamento ambiental especifico em sua execução. As obras avançam com a supervisão e o gerenciamento das exigências ambientais do licenciamento, verificadas rotineiramente pelo Ibama.
Más condições de trechos preocupam os municípios
A duplicação da BR-101 deixa aflitos não apenas os motoristas que cruzam a rodovia. Em Terra de Areia, o secretário de Administração, Roberto Antonio Thomas, avalia a situação como insustentável. "O movimento intenso de caminhões nas vias laterais danifica a pavimentação, além de colocar em risco pedestres e ciclistas", sentencia. Segundo ele, em dias de chuva o quadro fica pior em razão dos buracos. "Com a chegada do verão, o quadro vai se agravar. A promessa era ter o trecho pronto ainda em dezembro mas, pelo visto, teremos que esperar mais um ano", comenta.
Entretanto, o prefeito de Três Cachoeiras, Edson Baltazar Scheffer, acredita que o trecho referente ao município será entregue logo. Com a liberação, Scheffer diz que os moradores ficarão livres dos caminhões que usavam as vias internas e laterais. O caminhoneiro paulista Edgar Almiro Queirós, 55, que trafega semanalmente pela BR 101, diz que a liberação de trechos duplicados deixa a viagem menos arriscada. O também caminhoneiro Laércio Batista de Vargas, 48, projeta que a BR-101 será, em curto espaço de tempo, "uma rodovia de primeiro mundo". "Os pontos que estão prontos apresentam ótima sinalização", constata.
Obras da BR-101 seguem atrasadas
Impasses jurídicos e chuvas prejudicaram a obra e dobraram o custo final