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Oficiais de Justiça conversam com manifestantes sobre desocupação da Câmara

Mais cedo, grupo havia dito que não deixaria prédio até retomada do diálogo sobre reivindicações

Manifestantes seguem ocupando a Câmara de Vereadores em Porto Alegre
Manifestantes seguem ocupando a Câmara de Vereadores em Porto Alegre Foto : Vinicius Roratto
Por volta das 15h desta segunda-feira, oficiais de Justiça chegaram à Câmara de Vereadores de Porto Alegre para conversar sobre a notificação de reintegração de posse do prédio, ocupado desde quarta da semana passada por manifestantes ligados ao Bloco de Luta pelo Transporte Público.

O grupo que está acampado no local pediu que fosse aguardada a entrevista coletiva do presidente da Casa, vereador Thiago Duarte (PDT), marcada pas as 15h30min. Com isso, os oficiais permaneceram com o documento e adiaram a entrega da notificação aos manifestantes.  "Estamos conversando para fazer uma mediação deste conflito. Nosso ponto de vista está embasado na civilidade para a saída deles. Se não houver uma ordem contrária, a gente tem que fazer hoje a reintegração", disse o oficial José Gabriel Inácio.

O grupo deve deixar o plenário em dia útil, entre 6h às 20h. No sábado, a Justiça determinou a reintegração de posse do prédio, pedido feito pelo presidente da Casa, vereador Thiago Duarte (PDT).

Mais cedo, em pronunciamento no plenário, os manifestantes defenderam a retomada do diálogo com os parlamentares, porém, informaram que não pretendem deixar o prédio. "Não há possibilidade de sairmos da Câmara sem indicativo de reabertura do diálogo para o encaminhamento dos dois projetos", diz uma carta assinada pelo grupo e lida à imprensa.

Os manifestantes também criticaram a decisão do presidente da Casa de suspender o expediente da Casa nesta segunda-feira, sob a alegação de que a medida era para preservar a integridade física dos parlamentares e servidores públicos, em razão da permanência do grupo no plenário.

Ainda pela manhã, o presidente da Câmara reuniu-se com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Pedro Westphalen (PP). Na ocasião, o pedetista disse que há falta de apoio por parte do governo estadual, já que a solicitação de reforço da segurança na Câmara por parte da Brigada Militar não foi atendida. "Um crime de responsabilidade", concluiu.

Através do Twitter, a Brigada Militar informou que não recebeu solicitação de apoio para dar andamento ao processo de reintegração de posse na Câmara Municipal. Westphalen solicitou aos vereadores a elaboração de um relatório a respeito ocorrências no plenário durante a ocupação dos manifestantes. O documento será levado à reunião da Mesa Diretora da Assembleia, convocada às pressas para à tarde.

Um pouco depois, Westphalen recebeu também o deputado Adão Villaverde (PT), acompanhado dos vereadores da Capital Alberto Kopittke e Eng. Comassetto, ambos do PT. Eles representam a parcela de vereadores que apoia o Bloco de Luta pelo Transporte Público. No encontro, os parlamentares manifestaram a vontade de encontrar uma saída pacífica para a desocupação.

Impasse começou no final de semana

No final de semana, os manifestantes avaliaram e aceitaram parte da proposta apresentada pela Câmara de Vereadores na sexta-feira. Em assembleia no sábado, eles haviam definido que o grupo iria encaminhar uma solicitação para a abertura das planilhas de contas das empresas de transporte público da Capital. Além disso, pediriam a convocação de uma audiência pública para tratar do assunto e a implementação do passe livre para estudantes, idosos e desempregados.

Para o grupo, tais propostas deveriam ser apreciadas na primeira semana de agosto, após o recesso parlamentar, que começa nesta quarta-feira, dia 17 de julho. Ainda durante a assembleia, os membros do movimento social haviam decidido que deixariam a Casa nesta segunda. Porém, diante do pedido de reintegração de posse, o discurso mudou.

O grupo chamou a medida de repressora e, em carta aberta divulgada pelas redes sociais, o Bloco de Luta Pelo Transporte Público classificou como “unilateral e incompetente” o rompimento do diálogo. “Indicamos a desocupação da Câmara na segunda-feira, na parte da manhã, visto que, durante este fim de semana, estamos promovendo um seminário aberto à população, com debates e aulas públicas relacionados à questão do transporte público. Ainda assim, vimos todo o nosso esforço de negociação ser rompido”, diz o texto.

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