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Opas condena compra privada de vacinas, que "contraria a saúde pública"

Jarbas Barbosa, médico sanitarista, disse que liberação pode fazer com que pessoas mais pobres tenham acesso reduzido ao imunizante

Jarbas Barbosa, médico sanitarista, disse que liberação pode fazer com que pessoas mais pobres tenham acesso reduzido ao imunizante
Jarbas Barbosa, médico sanitarista, disse que liberação pode fazer com que pessoas mais pobres tenham acesso reduzido ao imunizante Foto : INA FASSBENDER / AFP / CP

A compra de vacinas contra a Covid-19 pelo setor privado contraria o objetivo de salvar as vidas de pessoas dos grupos mais vulneráveis à doença e pode aumentar as desigualdades sociais já reforçadas pela pandemia, afirmou nesta quarta-feira, 7, o diretor assistente da Organização pan-americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa.

Nesta terça-feira, a Câmara dos Deputados do Brasil aprovou, por 317 votos a favor e 120 contra, o texto-base de uma mudança na legislação para permitir que empresários comprem vacinas contra a Covid-19 mesmo sem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O médico sanitarista brasileiro condenou a compra privada de imunizantes do ponto de vista ético e de saúde pública, afirmando que permiti-la pode fazer com que pessoas mais pobres, ainda que sob maior risco de ser contaminado e morrer de Covid-19, tenham acesso reduzido às vacinas em comparação com as populações mais ricas.

"Ninguém tem vacinas sobrando. O objetivo primário dos imunizantes é proteger aqueles que podem se contrair a doença de forma grave", reforçou Barbosa, argumentando que a distribuição dos produtos, no momento, deve ficar restrita aos governos de países. Segundo a diretora-geral da Opas, Carissa Etienne, a cobertura da vacinação nas Américas ainda está longe da necessária para proteger as populações mais vulneráveis.