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Operária confirma que sofreu agressão física no cativeiro

Josiane Pontes prestou depoimento durante três horas na Delegacia da Mulher em Canoas

Operária confirma que sofreu agressão física no cativeiro
Operária confirma que sofreu agressão física no cativeiro Foto : Leandro Cabral / CP
A operária Josiane Pontes prestou depoimento durante três horas nesta quarta-feira, na Delegacia da Mulher em Canoas. Segundo a delegada Kátia Reinheimer, ela confirmou que sofreu agressão física durante o cativeiro, e rebateu algumas declarações dadas pelo ex-marido, o vigilante Rodrigo Luciano Luz.

Josiane confirmou à delegada que solicitou reiteradas vezes que o companheiro a libertasse. A declaração contradiz o que foi dito por Luz à Polícia Civil. Ele afirmou não ter se rendido a pedido da ex-mulher. A operária também declarou ter sido agredida fisicamente durante o cárcere. Além disso, informou que era ameaçada de morte pelo homem, que também ameaçava se matar.

A operária disse que era perturbada há quase sete meses pelo vigilante, inconformado com o fim da relação de 13 anos. Segundo a delegada Kátia, todos os dias são feitos dois registros de casos semelhantes ao ocorrido em Canoas.

Josiane, que estava ainda abalada pelo crime, será encaminhada para acompanhamento psicológico. Ainda no depoimento, ela afirmou não ter sido dopada, nem ter visto o vigilante tomar estimulantes para permanecer acordado. De acordo com ela, Luz dormiu por dois momentos, mas permaneceu próximo da arma e agarrado à ex-mulher.

Para Josiane, o cansaço foi determinante para o fim do crime. Segundo a vítima, os filhos, que também foram mantidos na casa até a manhã do sábado, dormiram a maior parte do tempo. As crianças teriam acordado quando o vigilante disparou contra o cunhado. Disparo que, segundo Josiane, foi acidental.

Durante o Carnaval, a operária foi mantida em cárcere privado por quase 70 horas pelo ex-marido, o vigilante Rodrigo Luz. O homem a manteve sob a mira de um revólver calibre 38 na casa onde ela reside, na rua 11, bairro Guajuviras, em Canoas. Durante pouco mais de 69 horas, dois negociadores da Brigada Militar se revezaram conversando com Luz, mantendo contatos telefônicos em horários regulares, não dando chance para que ele adormecesse. O homem foi indiciado por receptação de veículo, tentativa de homicídio, cárcere privado e porte ilegal de arma.