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Operação conjunta retira lixo da Ilha dos Marinheiros

Na primeira etapa do trabalho, foram recolhidas 30 toneladas na Ilha do Pavão

Operação conjunta retira lixo da Ilha dos Marinheiros
Operação conjunta retira lixo da Ilha dos Marinheiros Foto : Pedro Revillon
Começou nesta quinta-feira um mutirão para o recolhimento de lixo na Ilha dos Marinheiros, em Porto Alegre. A Operação Delta é resultado de uma parceria entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (por meio do Parque do Delta do Jacuí), da Concepa (responsável pela BR-290), da Defesa Civil de Porto Alegre e do Comando Ambiental da Brigada Militar.

Com o auxílio de 30 funcionários da Concepa, um caminhão e uma retroescavadeira, estão sendo recolhidos os resíduos que estavam espalhados pela região. Essa é a segunda ação da Operação Delta. A primeira ocorreu em dezembro do ano passado. Na ocasião, foram retiradas mais de 30 toneladas de lixo da Ilha do Pavão. A expectativa dos parceiros é realizar o serviço uma vez a cada quatro meses.

Para a gestora do Parque Estadual do Delta do Jacuí, Vânia Mara da Costa, a iniciativa também tem como finalidade sensibilizar os moradores das ilhas. Ela explicou que a região está dentro de um Parque Estadual protegido por legislação ambiental e de uma Unidade de Preservação Ambiental que requer autorização prévia para construções.
“A grande maioria da população acha que essa é uma área sem dono, sem lei e que podem fazer qualquer coisa. As ilhas se tornaram o depósito de lixo de Porto Alegre”, avaliou ela.

Iniciativa

A ação surgiu porque a grande maioria das famílias que residem nas ilhas sobrevivem da reciclagem de lixo. Como não existe nenhum trabalho de orientação, os resíduos são levados para as casas e os que não são aproveitados ficam espalhados na região. “Essa realidade só tende a piorar. Por isso, unimos as parcerias para mudar o mais rápido possível essa situação e garantir a preservação do meio ambiente”, afirmou o gerente de engenharia da Concepa, Lélio de Brito.

Ele avaliou ainda que, para os resultados serem satisfatórios, é necessário haver ações de educação e de saúde. “Os moradores precisam ser informados de maneira mais clara dos problemas que podem ter se continuarem vivendo nessas condições insalubres”, avaliou ele.

Histórico

Para o coordenador do Conselho Administrativo Regional Ilhas (CAR/Ilhas), Ivo Schmitt, a situação da região é estrutural. Ele lembrou que a ocupação desordenada das ilhas começou há cerca de 30 anos. Nessa época, muitas famílias vinham do Interior e as que não conseguiam trabalho na Capital invadiam áreas nas Ilhas.

“Essas pessoas passaram a morar na região mesmo sem uma estrutura básica, como esgoto, água e luz e, ao mesmo tempo, aumentando a poluição nessa área”, afirmou o coordenador.

Ele ressaltou ainda que na época das cheias do Guaíba as casas que estão em áreas irregulares ficam completamente isoladas pelas águas. “Em alguns casos não conseguimos auxiliar essas pessoas nem utilizando barcos”, disse Schmitt.

Atualmente, nas três maiores ilhas da região - do Pavão, dos Marinheiros e das Flores - residem mais de 18 mil pessoas. Os integrantes da Defesa Civil de Porto Alegre, que monitoram o nível do Guaíba, também participaram da iniciativa.