A Operação Laçador mobiliza, no Rio Grande do Sul, 8 mil militares da Aeronáutica, Exército e Marinha em um conflito fictício entre os países hipotéticos Verde e Amarelo. As duas nações estão em conflito desde segunda-feira na disputa pelo domínio de uma usina hidrelétrica binacional e de bacias petrolíferas. "O adestramento conjunto avalia a integração do Ministério da Defesa e das Forças Armadas", justificou o comandante da Força Aérea Componente 106, brigadeiro Antônio Carlos Egito do Amaral. Nesta manhã, na Base Aérea de Canoas, ele negou qualquer vinculação do treinamento com o apagão que atingiu dez estados brasileiros no dia 10 de novembro.
"A Operação Laçador representa a fase final de um ciclo de planejamento iniciado em 2007, com a finalidade de adestrar forças navais, terrestres e áreas em operações conjuntas", justificou. A coincidência entre o apagão e a realização de um grande exercício militar no Sul do Brasil, incluindo a ocupação de uma usina binacional, desperta temor no Paraguai. O jornal paraguaio ABC Color inclusive estampou o receio na edição de sábado com a manchete "Brasil prepara simulacro de guerra dirigido ao Paraguai".
"Não há relação entre os fatos, pois é impossível organizarmos uma operação de tamanha grandeza em menos de uma semana", assinalou o brigadeiro, acrescentando que a Operação Laçador é o maior exercício militar da América Latina. O cenário de guerra envolve o país Verde, representado por Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul, e o país Amarelo, composto pelos municípios das regiões Campanha e Noroeste do RS. Justamente para evitar interpretações equivocadas, a operação ocorre bem distante da área de fronteira. No exercício simulado da operação, os países Amarelo e Verde estão em conflito. O país Amarelo enfrenta uma crise de energia. Os campos petrolíferos se esgotaram e a única fonte de energia vem de uma usina binacional construída em parceria com o país Verde, onde fica a sede da hidrelétrica.
Tudo acontece depois que o país Amarelo decide ocupar os campos petrolíferos do país Verde, localizados na região do Porto de Rio Grande. Com o aval da ONU, o país Verde decide então tomar a usina binacional, representada pela Usina Hidrelétrica Itá, na divisa dos municípios de Itá (SC) e Aratiba (RS). "Este é o cenário do conflito onde os militares brasileiros estão fazendo os exercícios", frisou. Militares de várias regiões do Brasil participam da guerra simulada. Eles integram as principais unidades das Forças Armadas que estariam envolvidas em uma ação real de pronto-emprego.
Operação simula guerra no Rio Grande do Sul
Oito mil militares da Aeronáutica, Exército e Marinha participam da ação no Estado