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Organs of Thrones usa tom medieval para incentivar a doação de órgãos

Olhos de Lince, Coração de Leão e Pulmões de Guepardo são as três casas que formam o festival

Associação Cultural Vila Flores ganhou ares de castelo medieval
Associação Cultural Vila Flores ganhou ares de castelo medieval Foto : Guilherme Testa
Olhos de Lince, Coração de Leão e Pulmões de Guepardo são as três casas que formam o festival medieval Organs of Thrones, mas, ao contrário da consagrada série de livros e televisão Game of Thrones, a qual a iniciativa faz alusão, o objetivo não é conquistar o trono de ferro e sim incentivar a doação de órgãos. Com este olhar inusitado sobre a questão, a atividade foi realizada neste sábado em Porto Alegre.

Do final da manhã até o inicio da noite, a Associação Cultural Vila Flores ganhou ares de castelo medieval. Aberto ao público em geral, o evento contou com aulas de arco e flecha, desfile de fantasias e guerra de bexigas d'água, sempre, é claro, abordando a importância da doação de órgãos. “A gente está conseguindo injetar este assunto de forma natural”, explicou Daniel Mattos, criador da Smile Flame, empresa idealizadora deste e de outros projetos, como o Skate no Asilo Padre Cacique.

Para Mattos, ao dar uma nova roupagem, consegue-se alcançar um número maior de pessoas em prol de uma causa social. A ideia é reforçada pela opinião do médio José César Boreira, presidente da Unicred, uma das apoiadoras da atividade. “Nós tivemos a sorte de fazer um evento diferente, que vai possibilitar incentivar as pessoas a perderem os tabus e os medos”, disse ele, referindo-se, principalmente, ao público jovem.

Este é o mesmo pensamento do médico Valter Garcia, coordenador de transplantes da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, entidade que também é parceira da iniciativa. Ele explicou que um dos pilares nos quais se trabalha o incentivo ao transplante é a educação e uma das formas de se fazer isso é através do lúdico, como ocorreu no evento de sábado. Ele ainda reiterou algo que, às vezes, pode ser esquecido: os transplantes são um tratamento que precisa e só acontece com a presença de um doador.

Nos últimos dez anos, o aumento do número de doadores de órgãos vinha crescendo 10% ao ano, disse o coordenador de transplantes da Santa Casa. No entanto, afirmou que há cerca de dois anos este aumento estagnou. “Tem que retomar pelo menos 50% nos próximos seis, sete anos”, disse ele.

Em casos de morte encefálica, segundo o médico, a família é entrevistada sobre a possibilidade de doação de órgãos e, caso não saiba qual era a opinião da vítima, é comum acabar respondendo que não. Por isso, para que de fato ocorra uma retomada no número de doadores, ele disse que precisa-se obrigatoriamente da conscientização da sociedade como um todo.